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A primeira vez que fui apresentado à música de Johnny Alf foi por meio do guitarrista Vitor Mansur, que fazia a turnê de Elza Soares no projeto Pixinguinha pelo Nordeste, ali pelo início dos anos 1980. Vitor ficou morando em Maceió e passou a atuar na noite como diretor musical da extinta boate Cavouco, onde introduziu ao repertório grandes clássicos de Johnny Alf como: Eu e a Brisa, Rapaz de Bem, Ilusão à Toa e tantos outros…

Naquela oportunidade, a música de Alf mudou totalmente nossos conceitos. Primeiro pela beleza das letras e dos arranjos, depois, pela forma sincopada, diferente e moderna de cantar.

Em Rapaz de bem, cujo belo arranjo é assinado pelo maestro Nelsinho – também exímio trombonista, Johnny brinca com sua voz colocando-a em diferentes alturas, enquanto a harmonia passeia em mudanças de tons quase imperceptíveis aos ouvidos desacostumados com essa forma de embelezamento harmônico. O flautista Luiz Marinho brilha em seu solo apoiado por um timaço de músicos como Celso Murilo e seu piano cheio de manhas, Edison Machado na bateria e Tião Neto, esse grande líbero e seu contrabaixo.

Outro banho de suingue e bom gosto é ouvido na faixa Fuga, que inicia com Johnny em uníssono com o trombone, seguido das intervenções de uma metaleira composta pelos melhores músicos de estúdio daqueles tempos: Santos, Maurilio, Hamilton, Julinho e Wagner nos trompetes; Zé Bodega, Aurino, Jorginho – saxofones; Luiz Marinho no sax alto e flauta; Macaxeira e Norato nos trombones.

Johnny foi um dos precursores do movimento que criou a Bossa Nova. Tocou muito nos famosos bares do Beco das Garrafas, onde era idolatrado por Tom Jobim, João Gilberto e outros participantes desse movimento. Não cantou na grande noite no Carnegie Hall por estar morando em São Paulo, cidade que adotou ao ser convidado para cantar na inauguração de um dos mais famosos redutos do Jazz e Bossa Nova da cidade, o João Sebastião Bar. Pura ironia do destino que sempre brincou com esse mestre da música brasileira, deixando-o à beira do ostracismo por diversas vezes.

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