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Precursor da nossa música instrumental, o pianista e arranjador Antonio Adolfo gravou e lançou, em 1977, o disco mais representativo da música independente no Brasil.

Batizado de “Feito em Casa” por motivos que explicarei depois, o álbum reuniu um verdadeiro time de feras em sua concepção: Rubinho – bateria, Jamil Joanes e Luizão Maia – baixo, Luiz Claudio Ramos – guitarra, Márcio Montarroyos – trompete, Oberdan Magalhães – sax, Danilo Caymmi e Franklin – flauta, Suzana, Luna e Marcio lott – vocais, Ariovaldo – percussão e as cantoras Joyce e Malú.

Acalanto traz uma Joyce novinha em folha e em ótima performance, vocalizando a melodia que é muito bem harmonizada .

Antonio e Luiz Claudio colocam toda a malícia e ginga em uma harmonia que mescla acordes suspensos e meio diminutos em situações totalmente inesperadas e terminam com um improviso de piano que dispensa comentários. Simples e belo.

Em Chickote, logo na introdução – que é um solo do piano executado em meio a uma complexa série de ataques e convenções, o grupo nos mostra um grande entrosamento que é ressaltado no encarte do CD, onde Antonio explica que “antes de entrar em estúdio, ensaiou as músicas diversas vezes com os músicos de base – bateria, baixo e guitarra – até a perfeição”.

Esse tipo de introdução só foi ouvida na música instrumental anos depois. Fica aqui uma dúvida: o nome Chickote seria uma brincadeira ou uma homenagem ao grande pianista Chick Corea? Ou uma premonição ao que ele faria anos depois, em seus álbuns com a Elektric Band?

Terminada a gravação da fita, o maestro não conseguiu espaço em nenhuma gravadora em atividade na época e resolveu concluir o disco de forma totalmente artesanal e independente, daí o título do álbum.

Desde a confecção da capa até a montagem e embalagem. As negociações do álbum eram feitas diretamente com os lojistas, em seus shows e em viagens por quase todo o Brasil.

Certa feita, a cantora Carol Saboya, que é filha de Antonio, contou-me passagens importantes da carreira dele e disse que tudo nesse disco foi artesanal mesmo.

Assim como era feita a música instrumental ao redor do mundo nessa época.

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