- Estilo
- Cool Jazz
- Gravadora
- Capitol (T-762 (LP de 1957))
- Gravação
- 21 de janeiro de 1949, 22 de abril de 1949, 9 de março de 1950
- Estúdio
- WOR Studios, Nova York
- Produção
- Pete Rugolo e Walter Rivers
- Lançamento
- 1957
O nome deste disco é uma invenção comercial, e tardia. Quando o produtor Pete Rugolo reuniu, em 1957, onze lados de 78 rotações gravados oito anos antes e os lançou como um LP de doze polegadas, foi ele quem batizou o conjunto de "Birth of the Cool". Nenhum dos músicos jamais chamou aquilo assim enquanto tocava. Na época em que foram feitas, essas gravações venderam mal, os shows da banda receberam bocejos da crítica e o grupo se desfez sem completar dois anos de existência.
A história começa no apartamento de porão do arranjador Gil Evans, na Rua 55 de Nova York, onde uma turma de músicos inquietos se reunia no fim dos anos 1940. Evans vinha de escrever para a orquestra de Claude Thornhill, que tinha um som suave e incomum, com trompa e tuba dentro de uma banda de dança. A pergunta que ele e Gerry Mulligan se fizeram foi prática: qual é o menor grupo capaz de produzir aquele som? A resposta foram nove instrumentos, trompete, trombone, trompa, tuba, sax alto, sax barítono, piano, contrabaixo e bateria. Miles Davis, que acabara de deixar a banda de Charlie Parker, assumiu a liderança quase por acidente, marcando ensaios, telefonando para músicos e conseguindo o contrato.
O noneto tocou em público pouquíssimo. Duas semanas no Royal Roost em setembro de 1948, abrindo para a orquestra de Count Basie, mais um único outro trabalho, e acabou. O que restou foram doze gravações de estúdio, feitas em três sessões espalhadas por catorze meses, e é isso que está aqui.
O que se ouve primeiro é a cor. A trompa e a tuba dão ao conjunto um peso arredondado, sem o brilho cortante dos naipes de metais do bebop, e as vozes se movem em blocos harmônicos que lembram mais música de câmara do que big band. O arranjo vem antes do solo, o que era heresia em 1949: em "Israel", de John Carisi, e em "Moon Dreams", arranjada por Evans, há trechos inteiros escritos em que ninguém improvisa nada. E Miles é obrigado, faixa após faixa, a sair de uma passagem escrita direto para o improviso e voltar para outra passagem escrita, sem respiro. Ele tinha fama de técnica frágil e aqui não vacila em nenhum momento.
Lee Konitz é a outra revelação. O fraseado dele, longo e sem vibrato, oferece uma alternativa ao atropelo do bebop, e é dele boa parte do que se convencionou chamar de sonoridade fria.
Vale desconfiar do rótulo, aliás. "Cool" sugere frouxidão, e não é o que está no disco. "Move" é bebop veloz, "Israel" é um blues menor com bastante calor por dentro, e "Budo" corre solto. O que essas gravações têm de diferente não é temperatura baixa, é densidade de escrita. Também é justo dizer que o conjunto é curto e desigual: doze faixas de menos de três minutos cada, algumas claramente mais resolvidas que outras, e um número vocal em "Darn That Dream" que soa deslocado do resto.
O fracasso comercial não impediu o efeito. Gerry Mulligan foi para a Califórnia em 1952 e montou um quarteto sem piano ao lado de Chet Baker, levando essa estética ao extremo. John Lewis fundou o Modern Jazz Quartet e passou quatro décadas construindo a mesma delicadeza de câmara. Gil Evans reencontraria Miles anos depois para os discos com orquestra na Columbia. E o próprio Miles, que aqui aparece como um trompetista de 22 anos aprendendo a liderar, sairia dessa experiência com uma certeza que carregaria pelo resto da carreira: a de que o silêncio e o espaço valem tanto quanto as notas.
Faixas
As doze gravações do noneto de Miles Davis para a Capitol, na ordem das três sessões, todas no WOR Studios, em Nova York, entre janeiro de 1949 e março de 1950. Saíram primeiro como lados de 78 rotações e só foram reunidas em álbum em 1957.
WOR Studios, Nova York, 21 de janeiro de 1949
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01 - Jeru (Gerry Mulligan)
02 - Move (Denzil Best)
03 - Godchild (George Wallington)
04 - Budo (Miles Davis e Bud Powell)
WOR Studios, Nova York, 22 de abril de 1949
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01 - Venus de Milo (Gerry Mulligan)
02 - Rouge (John Lewis)
03 - Israel (John Carisi)
04 - Boplicity (Miles Davis e Gil Evans, creditada na época ao pseudônimo Cleo Henry)
WOR Studios, Nova York, 9 de março de 1950
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01 - Deception (Miles Davis)
02 - Rocker (Gerry Mulligan)
03 - Moon Dreams (Chummy MacGregor e Johnny Mercer)
04 - Darn That Dream (Jimmy Van Heusen e Eddie DeLange)
Créditos
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Miles Davis, trompete e direção (as três sessões)
Lee Konitz, sax alto (as três sessões)
Gerry Mulligan, sax barítono e arranjos (as três sessões)
Bill Barber, tuba (as três sessões)
Kai Winding, trombone (21 de janeiro de 1949)
Junior Collins, trompa (21 de janeiro de 1949)
Al Haig, piano (21 de janeiro de 1949)
Joe Shulman, contrabaixo (21 de janeiro de 1949)
Max Roach, bateria (sessões de janeiro de 1949 e março de 1950)
J. J. Johnson, trombone (sessões de abril de 1949 e março de 1950)
Sandy Siegelstein, trompa (22 de abril de 1949)
John Lewis, piano e arranjos (sessões de abril de 1949 e março de 1950)
Nelson Boyd, contrabaixo (22 de abril de 1949)
Kenny Clarke, bateria (22 de abril de 1949)
Gunther Schuller, trompa (9 de março de 1950)
Al McKibbon, contrabaixo (9 de março de 1950)
Kenny Hagood, voz ("Darn That Dream")
Gil Evans, arranjos ("Boplicity" e "Moon Dreams")
John Carisi, arranjo ("Israel")
As edições disponíveis nos serviços de streaming são reedições posteriores e podem não corresponder exatamente ao registro histórico da lista acima. Os links levam ao álbum de 1957, que reúne onze das doze gravações. Nos dois serviços há também The Complete Birth of the Cool, de 1998, com as doze faixas de estúdio e mais treze registros ao vivo do Royal Roost, de setembro de 1948, feitos antes das sessões.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase COOL JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






