- Estilo
- Hard Bop
- Gravadora
- Atlantic (1311 (mono) / SD 1311 (estéreo))
- Gravação
- 4 de maio de 1959, 5 de maio de 1959, 2 de dezembro de 1959
- Estúdio
- Atlantic Studios, Nova York
- Engenheiro
- Tom Dowd e Phil Iehle
- Produção
- Nesuhi Ertegun
- Lançamento
- 1 de fevereiro de 1960
Duas semanas depois de terminar as sessões de "Kind of Blue" ao lado de Miles Davis, John Coltrane entrou sozinho no estúdio da Atlantic, em Nova York, para gravar pela primeira vez como líder contratado do selo. Era 4 de maio de 1959. Na pauta, sete composições próprias, entre elas a faixa-título, construída sobre uma sequência de acordes tão rápida e incomum que o próprio pianista da sessão, Tommy Flanagan, tropeçou visivelmente no solo usado na versão final, parando e recomeçando frases inteiras enquanto tentava acompanhar Coltrane em tempo real, sem qualquer ensaio prévio.
O contrato com a Atlantic tinha saído por intermediação de Harold Lovett, empresário de Miles Davis, e garantia a Coltrane sete mil dólares anuais, uma estabilidade rara para um saxofonista até então conhecido sobretudo como sideman. Antes desta sessão, houve uma tentativa descartada: em 26 de março daquele ano, Coltrane gravou versões de parte das composições ao lado do pianista Cedar Walton, mas não gostou do resultado e refez tudo semanas depois, agora com Flanagan, o contrabaixista Paul Chambers (o mesmo de "Kind of Blue") e o baterista Art Taylor. É um contraste e tanto: no mesmo mês em que ajudava a consolidar o jazz modal de Miles, econômico e quase sem trocas de acorde, Coltrane escrevia para si mesmo o oposto, uma música movida por harmonias tão densas que exigiam do intérprete outro tipo de fôlego inteiramente.
"Giant Steps" percorre três centros tonais separados por terças maiores, uma estrutura que ficaria conhecida entre músicos como "Coltrane changes": o acorde muda de lugar tão depressa que o ouvido mal tem tempo de se firmar numa tonalidade antes de ser puxado para a próxima, um efeito de queda livre controlada. "Countdown", a faixa mais curta do disco, acelera ainda mais esse mesmo raciocínio harmônico sobre a estrutura do standard "Tune Up", com Art Taylor abrindo a faixa num solo de bateria curto e afiado antes de o saxofone entrar disparado. Depois desse ataque inicial, o disco relaxa em "Spiral" e "Syeeda's Song Flute" (batizada em homenagem à enteada de Coltrane), faixas em que o piano de Flanagan finalmente ganha espaço para respirar entre as frases do saxofone, antes de "Naima" virar a chave do disco por completo.
Gravada isolada, sete meses depois, "Naima" troca o trio de maio por outro: o pianista Wynton Kelly e o baterista Jimmy Cobb, os mesmos dois nomes que Coltrane tinha ao lado dele em "Freddie Freeloader", de "Kind of Blue". A balada, batizada em homenagem à mulher de Coltrane na época, Juanita Naima Grubbs, é a única faixa do disco sem nenhum truque harmônico visível: dois acordes sustentados sob uma melodia que respira devagar, prova de que a mesma mente capaz de escrever "Giant Steps" também sabia, quando queria, deixar o virtuosismo de lado.
A pressa da sessão de maio cobra seu preço em mais de um momento do disco. O próprio Flanagan reconheceria décadas depois que aquele solo de abertura soava mais como sobrevivência do que como interpretação, e é justamente esse desconforto audível, e não só a proeza harmônica de Coltrane, que dá ao disco boa parte de sua tensão. "Giant Steps" não é um álbum confortável de se ouvir pela primeira vez, e essa aspereza é parte do que o torna, décadas depois, ainda um teste de resistência para qualquer instrumentista que tente tocá-lo.
"Giant Steps" fechou um capítulo e abriu outro ao mesmo tempo. Era a prova final de que Coltrane dominava a harmonia tradicional do jazz a ponto de conseguir multiplicá-la. Menos de um ano depois, ele mudaria de direção outra vez, trocando a complexidade vertiginosa por escalas modais e um só acorde sustentado por minutos a fio, num disco que levaria o nome de uma canção que nem era originalmente sua.
Faixas
As faixas 1 a 5 e 7 vêm da sessão principal de 4 e 5 de maio de 1959, com o trio de Tommy Flanagan, Paul Chambers e Art Taylor. A faixa 6, "Naima", foi gravada isolada em 2 de dezembro de 1959, já com a base rítmica de Wynton Kelly e Jimmy Cobb, a mesma dupla que Coltrane tinha ao lado em "Freddie Freeloader", de "Kind of Blue".
-
01 - Giant Steps (John Coltrane) - 4:43
02 - Cousin Mary (John Coltrane) - 5:45
03 - Countdown (John Coltrane) - 2:21
04 - Spiral (John Coltrane) - 5:56
05 - Syeeda's Song Flute (John Coltrane) - 7:00
06 - Naima (John Coltrane) - 4:21
07 - Mr. P.C. (John Coltrane) - 6:57
Créditos
-
John Coltrane, sax tenor
Tommy Flanagan, piano (1, 2, 3, 4, 5, 7)
Wynton Kelly, piano (6)
Paul Chambers, contrabaixo
Art Taylor, bateria (1, 2, 3, 4, 5, 7)
Jimmy Cobb, bateria (6)
Este disco pertence à fase HARD BOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.
Tags
- Estilo
- Hard Bop
- Gravadora
- Atlantic (1311 (mono) / SD 1311 (estéreo))
- Gravação
- 4 de maio de 1959, 5 de maio de 1959, 2 de dezembro de 1959
- Estúdio
- Atlantic Studios, Nova York
- Engenheiro
- Tom Dowd e Phil Iehle
- Produção
- Nesuhi Ertegun
- Lançamento
- 1 de fevereiro de 1960
Duas semanas depois de terminar as sessões de "Kind of Blue" ao lado de Miles Davis, John Coltrane entrou sozinho no estúdio da Atlantic, em Nova York, para gravar pela primeira vez como líder contratado do selo. Era 4 de maio de 1959. Na pauta, sete composições próprias, entre elas a faixa-título, construída sobre uma sequência de acordes tão rápida e incomum que o próprio pianista da sessão, Tommy Flanagan, tropeçou visivelmente no solo usado na versão final, parando e recomeçando frases inteiras enquanto tentava acompanhar Coltrane em tempo real, sem qualquer ensaio prévio.
O contrato com a Atlantic tinha saído por intermediação de Harold Lovett, empresário de Miles Davis, e garantia a Coltrane sete mil dólares anuais, uma estabilidade rara para um saxofonista até então conhecido sobretudo como sideman. Antes desta sessão, houve uma tentativa descartada: em 26 de março daquele ano, Coltrane gravou versões de parte das composições ao lado do pianista Cedar Walton, mas não gostou do resultado e refez tudo semanas depois, agora com Flanagan, o contrabaixista Paul Chambers (o mesmo de "Kind of Blue") e o baterista Art Taylor. É um contraste e tanto: no mesmo mês em que ajudava a consolidar o jazz modal de Miles, econômico e quase sem trocas de acorde, Coltrane escrevia para si mesmo o oposto, uma música movida por harmonias tão densas que exigiam do intérprete outro tipo de fôlego inteiramente.
"Giant Steps" percorre três centros tonais separados por terças maiores, uma estrutura que ficaria conhecida entre músicos como "Coltrane changes": o acorde muda de lugar tão depressa que o ouvido mal tem tempo de se firmar numa tonalidade antes de ser puxado para a próxima, um efeito de queda livre controlada. "Countdown", a faixa mais curta do disco, acelera ainda mais esse mesmo raciocínio harmônico sobre a estrutura do standard "Tune Up", com Art Taylor abrindo a faixa num solo de bateria curto e afiado antes de o saxofone entrar disparado. Depois desse ataque inicial, o disco relaxa em "Spiral" e "Syeeda's Song Flute" (batizada em homenagem à enteada de Coltrane), faixas em que o piano de Flanagan finalmente ganha espaço para respirar entre as frases do saxofone, antes de "Naima" virar a chave do disco por completo.
Gravada isolada, sete meses depois, "Naima" troca o trio de maio por outro: o pianista Wynton Kelly e o baterista Jimmy Cobb, os mesmos dois nomes que Coltrane tinha ao lado dele em "Freddie Freeloader", de "Kind of Blue". A balada, batizada em homenagem à mulher de Coltrane na época, Juanita Naima Grubbs, é a única faixa do disco sem nenhum truque harmônico visível: dois acordes sustentados sob uma melodia que respira devagar, prova de que a mesma mente capaz de escrever "Giant Steps" também sabia, quando queria, deixar o virtuosismo de lado.
A pressa da sessão de maio cobra seu preço em mais de um momento do disco. O próprio Flanagan reconheceria décadas depois que aquele solo de abertura soava mais como sobrevivência do que como interpretação, e é justamente esse desconforto audível, e não só a proeza harmônica de Coltrane, que dá ao disco boa parte de sua tensão. "Giant Steps" não é um álbum confortável de se ouvir pela primeira vez, e essa aspereza é parte do que o torna, décadas depois, ainda um teste de resistência para qualquer instrumentista que tente tocá-lo.
"Giant Steps" fechou um capítulo e abriu outro ao mesmo tempo. Era a prova final de que Coltrane dominava a harmonia tradicional do jazz a ponto de conseguir multiplicá-la. Menos de um ano depois, ele mudaria de direção outra vez, trocando a complexidade vertiginosa por escalas modais e um só acorde sustentado por minutos a fio, num disco que levaria o nome de uma canção que nem era originalmente sua.
Faixas
As faixas 1 a 5 e 7 vêm da sessão principal de 4 e 5 de maio de 1959, com o trio de Tommy Flanagan, Paul Chambers e Art Taylor. A faixa 6, "Naima", foi gravada isolada em 2 de dezembro de 1959, já com a base rítmica de Wynton Kelly e Jimmy Cobb, a mesma dupla que Coltrane tinha ao lado em "Freddie Freeloader", de "Kind of Blue".
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01 - Giant Steps (John Coltrane) - 4:43
02 - Cousin Mary (John Coltrane) - 5:45
03 - Countdown (John Coltrane) - 2:21
04 - Spiral (John Coltrane) - 5:56
05 - Syeeda's Song Flute (John Coltrane) - 7:00
06 - Naima (John Coltrane) - 4:21
07 - Mr. P.C. (John Coltrane) - 6:57
Créditos
-
John Coltrane, sax tenor
Tommy Flanagan, piano (1, 2, 3, 4, 5, 7)
Wynton Kelly, piano (6)
Paul Chambers, contrabaixo
Art Taylor, bateria (1, 2, 3, 4, 5, 7)
Jimmy Cobb, bateria (6)
Este disco pertence à fase HARD BOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






