- Estilo
- Hard Bop
- Gravadora
- Columbia (CL 1355 (mono) / CS 8163 (estéreo), LP de 12 polegadas)
- Gravação
- 2 de março de 1959, 22 de abril de 1959
- Estúdio
- Columbia 30th Street Studio, Nova York
- Engenheiro
- Fred Plaut
- Produção
- Irving Townsend
- Lançamento
- 17 de agosto de 1959
O disco mais celebrado da história do jazz passou mais de três décadas soando ligeiramente errado. Na sessão de 2 de março de 1959, no estúdio da Columbia na Rua 30 de Nova York, uma das três máquinas de três pistas usadas na gravação rodava um pouco mais devagar que o normal. Ninguém percebeu na hora, e o disco final foi mixado a partir daquela fita. O resultado é que "So What", "Freddie Freeloader" e "Blue in Green", as três faixas do lado A, saíram um pouco mais agudas e mais rápidas do que Miles Davis e sua banda realmente tocaram naquele dia. Só a remasterização de 1992 corrigiu o problema, o que significa que qualquer pessoa que ouviu "Kind of Blue" em vinil, fita ou CD antes daquele ano ouviu uma versão sutilmente diferente da que existe hoje em qualquer plataforma de streaming.
O caminho até aquela sessão vinha de uma insatisfação antiga de Davis com o próprio bebop, que ele via cada vez mais preso a sequências de acordes complexas demais para deixar espaço à melodia. Em 1953, o teórico George Russell tinha publicado um conceito de organização musical que abria alternativas ao improviso baseado em acordes, trocando-o por escalas e modos. Davis já tinha testado a ideia na faixa-título de "Milestones", de 1958, e gostou tanto do resultado que decidiu construir um disco inteiro sobre a mesma lógica. Para isso, chamou de volta o pianista Bill Evans, que tinha estudado com Russell antes de deixar a banda meses antes, mesmo sabendo que isso significava tirar o novo pianista do grupo, Wynton Kelly, do posto que ele acabara de ocupar. Talvez para suavizar a situação, Davis reservou para Kelly justamente a faixa mais bluesística do disco, "Freddie Freeloader", a única em que Evans não aparece.
Como era hábito de Davis, quase não houve ensaio. Os músicos receberam apenas esboços de escalas e melodias horas antes de gravar, e a lenda de que o disco inteiro saiu de uma tomada só por faixa não é bem verdade: só "Flamenco Sketches" saiu completa na primeira tentativa, e nem foi essa a tomada usada no disco final. As cinco faixas lançadas vieram de outras tomadas, tão poucas quanto possível, mas não únicas.
A autoria das duas baladas do disco, "Blue in Green" e "Flamenco Sketches", carrega uma disputa que merce ser relatada. As notas originais do encarte creditam as duas só a Davis. Mas quando Evans gravou sua própria versão de "Blue in Green" no álbum "Portrait in Jazz", meses depois, o crédito já saiu como "Davis-Evans". Numa entrevista de rádio em 1979, o próprio Evans afirmou ter escrito a peça sozinho, e contou que ao pedir uma parte dos direitos autorais a Davis, recebeu de volta um cheque de apenas vinte e cinco dólares. O espólio de Davis reconheceria formalmente a autoria de Evans só em 2002, décadas depois de qualquer um dos dois poder desfrutar do acerto.
A própria produção do disco também guarda um mito a corrigir. Por anos, o produtor Teo Macero recebeu crédito parcial ou total pela gravação em reedições e capas de CD. Mas quem aparece nas fitas da sessão dando instruções é o produtor da Columbia da época, Irving Townsend. Macero, que se tornaria o produtor fixo de Davis só depois, atuava ali como aprendiz e observador, presente mas não no comando.
A recepção imediata do disco foi mais discreta do que sua reputação posterior sugere. Naquele mesmo ano de 1959, a chegada de Ornette Coleman à cena de Nova York, com sua residência no Five Spot e o disco "The Shape of Jazz to Come", abafou boa parte do impacto inicial de "Kind of Blue", para irritação clara de Davis. A ironia é que a influência do disco de Davis só cresceria com o tempo, até se tornar, décadas depois, o álbum de jazz mais vendido da história.
Faixas
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01 - So What (Miles Davis) - 9:22
02 - Freddie Freeloader (Miles Davis) - 9:46
03 - Blue in Green (Miles Davis, Bill Evans) - 5:27
04 - All Blues (Miles Davis) - 11:33
05 - Flamenco Sketches (Miles Davis, Bill Evans) - 9:26
Créditos
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Miles Davis, trompete
John Coltrane, sax tenor
Cannonball Adderley, sax alto (todas exceto Blue in Green)
Bill Evans, piano (todas exceto Freddie Freeloader)
Wynton Kelly, piano (Freddie Freeloader)
Paul Chambers, contrabaixo
Jimmy Cobb, bateria
As duas plataformas trazem a mesma edição de cinco faixas do LP original. Vale registrar que todas as prensagens e reedições até 1992 saíram ligeiramente mais agudas e rápidas que a gravação original, por causa de um erro de velocidade numa das máquinas de três pistas usadas na sessão de março; a remasterização de 1992 foi a primeira a corrigir esse desvio, e é a base das edições correntes em streaming.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase HARD BOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






