- Estilo
- Cool Jazz
- Gravadora
- Argo (LP-628 (LP de 12 polegadas))
- Gravação
- 16 de janeiro de 1958
- Estúdio
- Pershing Lounge, Pershing Hotel, Chicago
- Engenheiro
- Malcolm Chisholm
- Produção
- Dave Usher
- Lançamento
- 1958
Na noite de 16 de janeiro de 1958, no Pershing Lounge, um clube dentro do Pershing Hotel de Chicago, a gravadora Argo ligou os microfones para registrar cada set que o trio de Ahmad Jamal tocasse naquela noite. Ao todo, saíram das fitas quarenta e três faixas. Jamal escolheu apenas oito para virar disco. Foi a primeira vez que ele gravou material inédito direto para a Argo (os discos anteriores vinham de fitas antigas compradas de outro selo) e também seu primeiro álbum ao vivo. Ninguém no clube naquela noite podia imaginar que aquelas oito faixas escolhidas se tornariam um dos maiores sucessos comerciais da história do jazz.
O trio já tocava junto havia anos. O contrabaixista Israel Crosby e o baterista Vernel Fournier conheciam cada respiração de Jamal ao piano. O sucesso foi imediato e sem precedentes para um disco de jazz da época. A revista Jet chamou o álbum de sucesso nacional já em agosto daquele ano e a própria DownBeat registrou vendas acima de quarenta e sete mil cópias, um número que a publicação classificava como excepcional para qualquer disco de jazz que passasse de quinze a vinte mil. Ficou cento e sete semanas nas paradas da Billboard e, décadas depois, quando o próprio National Endowment for the Arts nomeou Jamal um dos mestres do jazz americano, o disco já tinha vendido mais de um milhão de cópias. O sucesso foi tanto que financiou a abertura do próprio clube e restaurante de Jamal em Chicago, o Alhambra.
O carro-chefe do disco é "Poinciana", que sozinha ocupa mais de oito minutos do programa. Fournier e Crosby estabelecem um groove quase latino, repetitivo e hipnótico, enquanto Jamal flutua por cima com frases curtas e esparsas, cheias do que a crítica pop chamaria de "ganchos": repetição sem nunca virar redundância. É esse mesmo instinto de tocar menos, deixando o silêncio fazer parte da música tanto quanto as notas, que definiria o estilo de Jamal e o separaria de quase todo pianista de sua geração.
A crítica especializada da época não recebeu bem esse minimalismo. A resenha da DownBeat em 1958 chamou a música de "cocktail music", reconheceu a influência de Jamal sobre outros músicos, Miles Davis entre eles, mas descreveu o disco inteiro como "emocional, melódica e organizacionalmente inócuo". A ironia é dura: o mesmo disco que a crítica de jazz tratou como música de fundo para bar se tornaria uma referência direta para o próprio Davis, que apontava Jamal como um mestre e estudava seu uso do espaço e do silêncio com atenção de aluno. A distância entre o julgamento imediato da crítica especializada e o respeito que os próprios músicos da elite do jazz tinham por Jamal raramente foi tão grande.
O gosto de Miles Davis pelo vazio calculado, pela nota que não é tocada, atravessaria o disco que ele gravaria pouco mais de um ano depois, "Kind of Blue", quase um manual de como fazer menos render mais. A lição de Jamal, que a crítica de 1958 confundiu com falta de ambição, ajudaria a moldar o próximo grande capítulo do jazz americano.
Faixas
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01 - But Not for Me (George Gershwin, Ira Gershwin) - 3:32
02 - The Surrey with the Fringe on Top (Richard Rodgers, Oscar Hammerstein II) - 2:35
03 - Moonlight in Vermont (Karl Suessdorf, John Blackburn) - 3:09
04 - Music, Music, Music (Bernie Baum, Stephan Weiss) - 2:56
05 - No Greater Love (Isham Jones, Marty Symes) - 3:26
06 - Poinciana (Buddy Bernier, Nat Simon) - 8:07
07 - Woody 'n' You (Dizzy Gillespie) - 3:40
08 - What's New? (Bob Haggart, Johnny Burke) - 4:11
Créditos
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Ahmad Jamal, piano
Israel Crosby, contrabaixo
Vernel Fournier, bateria
As duas plataformas trazem a mesma edição de oito faixas do LP original de 1958.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase COOL JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






