- Estilo
- Hard Bop
- Gravadora
- EmArcy (MG-36036 (LP de 12 polegadas, 1955). Precedida pela edição original em LP de 10 polegadas, EmArcy MG-26043, de dezembro de 1954, com apenas 5 das 7 faixas.)
- Gravação
- 2 de agosto de 1954, 3 de agosto de 1954, 6 de agosto de 1954, 24 de fevereiro de 1955, 25 de fevereiro de 1955
- Estúdio
- Capitol Studios, Los Angeles (sessões de agosto de 1954); Capitol Studios, Nova York (sessões de fevereiro de 1955)
- Produção
- Bob Shad
- Lançamento
- 1955
No dia 2 de agosto de 1954, no estúdio da Capitol em Hollywood, um quinteto que ainda não tinha um ano de estrada entrou para gravar suas primeiras faixas de estúdio com a formação que ficaria na história. Max Roach tinha passado meses trocando de saxofonista, pianista e baixista, primeiro com Sonny Stitt e Teddy Edwards, depois com Carl Perkins e George Bledsoe, até fechar o time que gravaria naquele dia: Clifford Brown no trompete, Harold Land no sax tenor, Richie Powell no piano, George Morrow no contrabaixo. A primeira música que saiu da sessão foi, de um jeito improvável, o tema instrumental do filme "Sansão e Dalila", de Cecil B. DeMille, escrito por Victor Young para o cinema de Hollywood, não para uma banda de bebop. Ninguém apostaria numa trilha de épico bíblico como cartao de visita de um quinteto moderno e é por isso que "Delilah" funciona tao bem. O clima quase oriental do tema vira convite para Brown construir um solo longo e sinuoso, com Roach comentando cada frase do trompetista como se estivesse respondendo, não apenas acompanhando.
O disco nasce no momento em que o bebop começava a ganhar peso e suor de novo, depois do alívio contido do cool jazz. Roach vinha da geração que tinha inventado o bebop ao lado de Parker e Gillespie. Brown era o trompetista mais promissor da geração seguinte. A gravadora EmArcy, braco de jazz da Mercury, apostou no jovem quinteto sob a produção de Bob Shad, e o que veio dali se tornaria uma das parcerias mais influentes do hard bop, ao lado dos Jazz Messengers de Art Blakey.
O restante das faixas chegou aos poucos, e não de uma só tomada de fôlego. "Jordu", de Duke Jordan, foi gravada no dia seguinte; "Daahoud" e "Joy Spring", ambas assinadas por Brown, vieram numa sessão maratona em 6 de agosto. "Joy Spring" carrega uma história pessoal: o título era o apelido carinhoso que Brown dava a mulher, Larue, que ele conheceu por intermédio do próprio Roach quando ela ainda escrevia uma tese tentando provar que o jazz era inferior à música clássica. Brown a convenceu do contrario, e a música virou, com "Daahoud", um dos standards mais tocados que o hard bop deixou de herança, apesar da progressão de acordes enganosamente difícil de improvisar por cima. Já "Parisian Thoroughfare", composta por Bud Powell, tenta descrever em som o trânsito de Paris, e Roach usa os prato e caixa quase como buzinas de taxi por baixo das linhas velozes tocadas em uníssono por trompete e sax.
Só em fevereiro de 1955, mais de seis meses depois, o quinteto voltou ao estúdio, desta vez em Nova York, para gravar "The Blues Walk" e "What Am I Here For?", de Duke Ellington, completando as sete faixas que a EmArcy reuniria no LP de 12 polegadas. O disco que hoje ouvimos como uma obra fechada e, na verdade, um retrato montado a posteriori: a versão original em 10 polegadas, lançada ainda em dezembro de 1954, trazia só cinco faixas, e uma sexta, gravada naquele primeiro dia de agosto, "Darn That Dream", acabou sobrando para outro album do mesmo grupo. Até a duração de "Jordu" mudou com o tempo. A versão editada de quatro minutos que saiu no LP original foi, décadas depois, trocada pela tomada completa e não cortada em quase toda reedição em CD e streaming, o que muda o ritmo de audição do disco inteiro sem que o ouvinte casual perceba a diferença.
Harold Land deixaria a banda pouco depois, por razões pessoais, substituído por Sonny Rollins, que usaria aquele posto de destaque como trampolim para a própria carreira solo. Menos de dois anos depois desta sessão de agosto, Brown e Richie Powell morreriam num acidente de carro na Pennsylvania Turnpike, encerrando de vez um dos times mais elegantes que o hard bop produziu. O que sobrou, gravado aos poucos e sem plano fechado, ainda soa como se tivesse sido pensado assim desde o início.
Faixas
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01 - Delilah (Victor Young) - 8:03
02 - Parisian Thoroughfare (Bud Powell) - 7:16
03 - The Blues Walk (Clifford Brown) - 6:53
04 - Daahoud (Clifford Brown) - 4:01
05 - Joy Spring (Clifford Brown) - 6:48
06 - Jordu (Duke Jordan) - 4:00
07 - What Am I Here For? (Duke Ellington) - 3:04
Créditos
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Clifford Brown, trompete
Harold Land, sax tenor
Richie Powell, piano
George Morrow, contrabaixo
Max Roach, bateria
As duas plataformas trazem edições estendidas (12 faixas no Spotify, 11 no Apple Music) que somam ao programa original alternate takes e a faixa inédita "These Foolish Things", gravada na mesma sessão de 6 de agosto de 1954 mas descartada do LP na época. Além disso, em praticamente todas as reedições em CD e streaming, incluindo essas duas, "Jordu" aparece na tomada completa e não editada, com cerca de 7:45, enquanto o LP original de 1955 trazia a versão editada de 4:00 listada nesta ficha.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase HARD BOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






