- Estilo
- Hard Bop
- Gravadora
- Riverside (RLP 12-226 (LP de 12 polegadas))
- Gravação
- 9 de outubro de 1956, 15 de outubro de 1956, 7 de dezembro de 1956
- Estúdio
- Reeves Sound Studios, Nova York
- Engenheiro
- Jack Higgins
- Produção
- Orrin Keepnews (e Bill Grauer, co-fundador da Riverside, creditado como produtor em algumas edições)
- Lançamento
- 4 de abril de 1957
No dia 15 de outubro de 1956, no Reeves Sound Studios de Nova York, uma sessão de quatro horas produziu vinte e cinco tomadas da faixa que dá nome a este disco, e nenhuma delas saiu inteira. O saxofonista alto Ernie Henry e o contrabaixista Oscar Pettiford perderam a paciência com a complexidade da composição de Monk. Em dado momento, o produtor Orrin Keepnews e a equipe na sala de controle notaram que não conseguiam ouvir o contrabaixo de Pettiford e foram checar se o microfone tinha quebrado. Descobriram que ele estava apenas fingindo tocar. Sem nenhuma tomada completa e aproveitável, Keepnews teve que montar a versão final juntando pedaços de tomadas diferentes, um trabalho de edição quase invisível que se tornaria, décadas depois, parte da lenda do disco.
O caminho até aquele estúdio começara pouco antes. Em 1955, Keepnews tinha acabado de fundar a Riverside e queria Monk no catálogo, mas o pianista ainda devia à Prestige, sua gravadora anterior. Keepnews pagou cento e oito dólares para quitar a dívida e liberar Monk do contrato, um valor tao baixo que o próprio presidente da Prestige, Bob Weinstock, não sentiu falta nenhuma: para o mercado da época, os discos de Monk vendiam pouco, por mais respeitado que ele fosse entre os músicos. Temendo que as composições originais de Monk fossem complexas demais para o público, Keepnews o levou primeiro a gravar dois discos mais seguros, um dedicado a Duke Ellington e outro de standards conhecidos. Só no terceiro disco para o selo, este destacado aqui, Keepnews finalmente deixou Monk tocar as próprias composições na frente de uma banda.
O resultado reune, na verdade, dois quintetos diferentes. Nas sessões de outubro, ao lado de Monk, Sonny Rollins no sax tenor e Max Roach na bateria, tocam o saxofonista alto Ernie Henry e o contrabaixista Oscar Pettiford. Em dezembro, para gravar "Bemsha Swing", Henry e Pettiford dao lugar ao trompetista Clark Terry e ao contrabaixista Paul Chambers, com Roach passando dos tambores para os timbales. A faixa-título, com sua estrutura fora do comum (uma seção A de oito compassos, uma seção B de sete, e uma seção A modificada também de sete, com o tema dobrando de velocidade a cada segundo refrão), e o retrato mais completo do tipo de armadilha rítmica que Monk gostava de armar para os próprios músicos.
Um detalhe que até as próprias notas de capa erraram merece registro aqui. Keepnews escreveu, na época, que a dificuldade de "Brilliant Corners" vinha de um compasso irregular. Na verdade a música é inteira em compasso quatro por quatro. O que confunde o ouvido é a contagem incomum dos próprios compassos dentro da estrutura, não o compasso em si. Se até o produtor que acompanhou a gravação descreveu errado o que estava ouvindo, fica mais fácil entender por que a banda levou vinte e cinco tomadas para dar conta da peca.
Ernie Henry morreria menos de um ano depois desta sessão, em 1957, aos trinta e um anos, de overdose, deixando na Riverside apenas um dos tres discos que chegou a gravar como lider. Sonny Rollins, que gravaria "Saxophone Colossus" oito meses depois destas sessões de outubro, aparece aqui ainda antes daquele disco que o consagraria. "Brilliant Corners" entrou para o Grammy Hall of Fame em 1999 e para o Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso em 2003, reconhecimento tardio para um disco que, na própria sala de gravação, quase não saiu do papel.
Faixas
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01 - Brilliant Corners (Thelonious Monk) - 7:42
02 - Ba-Lue Bolivar Ba-Lues-Are (Thelonious Monk) - 13:24
03 - Pannonica (Thelonious Monk) - 8:50
04 - I Surrender, Dear (Harry Barris, Gordon Clifford) - 5:25
05 - Bemsha Swing (Thelonious Monk, Denzil Best) - 7:42
Créditos
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Thelonious Monk, piano (todas; celesta em Pannonica)
Sonny Rollins, sax tenor (todas exceto I Surrender, Dear)
Ernie Henry, sax alto (Brilliant Corners, Ba-Lue Bolivar Ba-Lues-Are, Pannonica)
Clark Terry, trompete (Bemsha Swing)
Oscar Pettiford, contrabaixo (Brilliant Corners, Ba-Lue Bolivar Ba-Lues-Are, Pannonica)
Paul Chambers, contrabaixo (Bemsha Swing)
Max Roach, bateria (todas exceto I Surrender, Dear; tímpanos em Bemsha Swing)
As duas plataformas trazem a edição Keepnews Collection, que soma as cinco faixas documentadas aqui a uma sexta faixa bonus, uma tomada incompleta de "Pannonica" descartada na época. As cinco faixas originais aparecem na mesma ordem e com durações praticamente idênticas as do LP de 1957.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase HARD BOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






