- Estilo
- Hard Bop
- Gravadora
- Blue Note (BLP 1595 (LP de 12 polegadas))
- Gravação
- 9 de março de 1958
- Estúdio
- Van Gelder Studio, Hackensack, Nova Jersey
- Engenheiro
- Rudy Van Gelder
- Produção
- Alfred Lion
- Lançamento
- agosto de 1958
Em 9 de março de 1958, quase quatro anos depois de sua última sessão para a Blue Note, Miles Davis voltou ao estúdio de Rudy Van Gelder em Hackensack. Não como líder, mas como convidado. Quem assinava o disco era o saxofonista Julian "Cannonball" Adderley, que na época tocava no sexteto do próprio Davis ao lado de John Coltrane. O nome de trabalho da sessão era só "Cannonball Adderley's Five Stars"; ninguém sabia ainda que aquele encontro se tornaria um dos discos mais amados da história do selo. Foi um raro gesto de troca de favores entre dois gigantes: Adderley cedia lugar de honra a Davis, e Davis retribuía a companhia que Adderley lhe fazia havia meses na própria banda.
O disco nasceu poucos dias depois de Davis terminar de gravar "Milestones", também com Adderley e Coltrane, e quase exatamente um ano antes de "Kind of Blue", o marco que definiria o jazz modal. Ouvido hoje, "Somethin' Else" soa como um ensaio geral para aquele futuro: o mesmo clima contido, as mesmas escolhas harmônicas discretas, ainda dentro do vocabulário do hard bop, mas já anunciando a economia que Davis levaria ao extremo no disco seguinte. Segundo as notas originais do encarte, foi o próprio Davis quem escolheu boa parte do repertório e quem se inspirou no pianista Ahmad Jamal para o arranjo de "Autumn Leaves", faixa que abre o disco com um dos climas mais reconhecíveis de toda sua carreira.
A banda de acompanhamento reunia veteranos de peso: o pianista Hank Jones, o contrabaixista Sam Jones e o baterista Art Blakey, emprestado por uma noite de sua própria banda, os Jazz Messengers. No fim de "One for Daddy-O", um blues de doze compassos escrito pelo irmão de Cannonball, Nat Adderley, em homenagem ao radialista de Chicago Holmes "Daddy-O" Daylie, é possível ouvir Davis perguntando ao produtor Alfred Lion, ainda com o microfone aberto: "Era isso que você queria, Alfred?", um raro flagrante do estúdio que a gravadora decidiu manter na mixagem final.
Uma confusão que durou décadas merece ser contada aqui. Quando a Blue Note reeditou o álbum em CD nos anos 1980, somou uma sexta faixa gravada na mesma sessão, mas que ninguém na gravadora conseguia identificar. Batizaram-na de "Alison's Uncle" e a creditaram a Cannonball Adderley. Só depois se descobriu que a composição era, na verdade, "Bangoon", do pianista Hank Jones, já gravada um ano antes por Gigi Gryce com o mesmo Jones ao piano. O título "tio da Alison" nem tinha relação musical nenhuma com a faixa: foi inventado pelo próprio Nat Adderley décadas depois, quando os produtores da reedição lhe pediram um nome para uma gravação sem identificação, e ele batizou a faixa em referência ao nascimento de sua filha, época em que a sessão original foi gravada.
Esse foi o único disco que Adderley gravaria como líder para a Blue Note. No ano seguinte ele voltaria ao estúdio ao lado de Davis, desta vez para "Kind of Blue", onde o clima contido que os dois cultivaram aqui se transformaria em linguagem própria do jazz moderno.
Faixas
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01 - Autumn Leaves (Joseph Kosma, Johnny Mercer, Jacques Prévert) - 10:55
02 - Love for Sale (Cole Porter) - 7:01
03 - Somethin' Else (Miles Davis) - 8:15
04 - One for Daddy-O (Nat Adderley) - 8:26
05 - Dancing in the Dark (Arthur Schwartz, Howard Dietz) - 4:07
Créditos
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Cannonball Adderley, sax alto
Miles Davis, trompete
Hank Jones, piano
Sam Jones, contrabaixo
Art Blakey, bateria
As duas plataformas trazem a mesma edição de cinco faixas do LP original de 1958. Reedições em CD desde os anos 1980 costumam somar uma sexta faixa, gravada na mesma sessão e por décadas creditada erroneamente a Cannonball Adderley sob o título "Alison's Uncle"; não está presente nos links aqui indicados.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase HARD BOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






