- Estilo
- Free Jazz
- Gravadora
- Impulse! (A-35 (mono) / AS-35 (estéreo))
- Gravação
- 20 de janeiro de 1963
- Estúdio
- Atlantic Studios, Nova York
- Produção
- Bob Thiele
- Lançamento
- julho de 1963
Em 20 de janeiro de 1963, no estúdio da Atlantic em Nova York, um grupo de onze músicos gravou, numa única sessão, os trinta e nove minutos que se tornariam The Black Saint and the Sinner Lady. Não foi um encontro de acaso. O pianista e arranjador Bob Hammer vinha comandando havia meses uma big band de ensaio, e Charles Mingus, recém-saído do fiasco de seu concerto no Town Hall (onde tentara compor ao vivo, diante da plateia, um trabalho ainda inacabado), tomou a banda de Hammer emprestada para uma temporada de seis semanas no Village Vanguard. Foi ali, noite após noite, que a suíte foi lapidada antes de chegar ao estúdio pronta para ser gravada de uma vez só.
O contexto pessoal pesa tanto quanto o musical. As notas do encarte trazem um texto assinado pelo próprio Mingus ao lado de outro escrito por seu psicoterapeuta, o doutor Edmund Pollock, uma escolha rara que expõe o quanto aquele período da carreira do compositor estava entrelaçado com sua saúde mental. Mingus sempre torceu o nariz para a palavra "jazz", que via como carregada de discriminação, e concordou em deixar a Impulse! anunciar o disco como "música étnica de dança", numa tentativa de fugir do rótulo sem abrir mão do gênero que o formou. A gravadora chegou a imprimir, por engano, as durações erradas de cada faixa na contracapa original, um deslize pequeno que reedições posteriores corrigiram.
A orquestração de Hammer, sob supervisão direta de Mingus, é o que sustenta essa música: uma seção de metais e palhetas (dois trompetes, trombone, tuba, três saxofones que também trocam para flauta) que se move em blocos densos, quase como se fosse um único instrumento grande respirando, intercalada por solos que saltam da massa sonora sem aviso. A escolha mais estranha da formação é o violão clássico de Jay Berliner, músico de formação erudita sem histórico de jazz, cuja sonoridade seca e pontilhada aparece como um contraponto quase de música de câmara em meio ao peso dos metais. No primeiro movimento, o sax alto de Charlie Mariano canta sobre um tapete de vozes graves que lembra menos um combo de jazz e mais uma orquestra sinfônica reduzida, enquanto o quarto e último bloco da suíte, que ocupa sozinho quase metade do disco, alterna trios miúdos com explosões de grupo inteiro, numa dramaturgia que Mingus concebeu literalmente como balé, com direito a indicações de coreografia nos próprios títulos.
Essa densidade cobra um preço. Ao contrário de Mingus Ah Um, gravado quatro anos antes e cheio de temas que grudam na memória logo na primeira audição, The Black Saint pede escuta repetida e atenta para que os blocos de orquestração revelem sua lógica interna; ouvido aos pedaços, como a divisão em quatro faixas do próprio LP sugere, o disco perde parte da força que só aparece quando as seis partes tocam em sequência, como Mingus sempre quis que fossem ouvidas.
A crítica da época e a posteridade concordaram em tratar este disco, ao lado de Mingus Ah Um, como o par de obras-primas que resume a carreira de Mingus como compositor, um veredito raro de unanimidade num catálogo tão irregular quanto genial. O peso emocional dessas seis partes, a mistura de fúria e ternura que o próprio Mingus resumiu como prova de que sua música era a vontade de sua alma de continuar viva, segue soando, mais de sessenta anos depois, como um dos pontos mais altos que a orquestração dentro do jazz já alcançou.
Faixas
As quatro faixas fazem parte de uma composição contínua, escrita em parte como balé; a quarta reúne três movimentos que tocam sem pausa. A contracapa do LP original trazia durações erradas para as faixas; os tempos aqui são os reais, conforme discografias de sessão posteriores.
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01 - Track A: Solo Dancer (Stop! Look! And Listen, Sinner Jim Whitney!) (Charles Mingus) - 6:39
02 - Track B: Duet Solo Dancers (Hearts' Beat and Shades in Physical Embraces) (Charles Mingus) - 6:45
03 - Track C: Group Dancers ((Soul Fusion) Freewoman and Oh, This Freedom's Slave Cries) (Charles Mingus) - 7:22
04 - Mode D/E/F: Trio and Group Dancers / Single Solos and Group Dance / Group and Solo Dance (Charles Mingus) - 18:39
Créditos
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Charles Mingus, contrabaixo e piano
Jaki Byard, piano
Jay Berliner, guitarra
Dannie Richmond, bateria
Rolf Ericson, trompete
Richard Williams, trompete
Quentin Jackson, trombone
Don Butterfield, tuba e trombone contrabaixo
Charlie Mariano, sax alto
Dick Hafer, sax tenor e flauta
Jerome Richardson, sax soprano, sax barítono e flauta
As duas plataformas servem a edição em quatro faixas do LP original, a mesma divisão desta ficha.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FREE JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






