- Estilo
- Hard Bop
- Gravadora
- Blue Note (BLP 4157 (mono) / BST 84157 (estéreo))
- Gravação
- 21 de dezembro de 1963
- Estúdio
- Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, Nova Jersey
- Engenheiro
- Rudy Van Gelder
- Produção
- Alfred Lion
- Lançamento
- julho de 1964
A Blue Note estava quase quebrando em 1963. A gravadora prensou só quatro mil cópias do disco que Lee Morgan tinha acabado de gravar num único dia de dezembro daquele ano, e aquele estoque inteiro se esgotou em poucos dias, uma reação de mercado que ninguém no selo esperava. Segundo o baterista Billy Hart, amigo de Morgan, a faixa-título só existia porque a sessão precisava de mais uma música para fechar o disco. Aquela suposta faixa de preenchimento se tornaria o maior sucesso comercial da história da Blue Note até aquele momento, salvando o selo da falência e virando trilha de comercial de carro sem autorização nem pagamento algum ao compositor.
Morgan chegava a essa sessão reconstruindo a própria carreira. Ainda adolescente, tinha tocado ao lado de Dizzy Gillespie e gravado seu primeiro disco como líder aos dezoito anos, mas o vício em heroína o afastou dos palcos e dos estúdios no início dos anos 1960. Quando voltou a Nova York em 1963, reentrou na Blue Note primeiro como sideman, em discos de Hank Mobley e Grachan Moncur III, para só depois reconquistar o posto de líder. "The Sidewinder" foi essa reconquista: um quinteto novo, com o saxofonista Joe Henderson, o pianista Barry Harris, o contrabaixista Bob Cranshaw e o baterista Billy Higgins, todos ainda no começo de carreiras que se tornariam decisivas para o jazz da década seguinte.
A faixa-título usa uma estrutura de blues de vinte e quatro compassos, com uma reviravolta harmônica nos compassos dezessete e dezoito que troca inesperadamente para um acorde menor, um toque de tensão dentro de uma melodia que, fora isso, é quase ridiculamente cantarolável. O nome, segundo o próprio Morgan, veio do vilão de um programa de televisão, não da cobra do mesmo nome. Mais do que a melodia, é o groove que carrega a faixa: uma batida mais reta e dançante que o swing tradicional do hard bop, prima próxima do que ficaria conhecido como boogaloo, com o piano de Harris repetindo um riff curto que gruda no ouvido desde a primeira escuta. "Totem Pole", quase tão longa quanto a faixa-título, deixa mais espaço para os solos se esticarem, enquanto "Hocus-Pocus" fecha o disco num andamento mais ágil, com Henderson soltando um fraseado mais anguloso que contrasta com o tom mais cantado do trompete de Morgan.
O sucesso trouxe também um efeito colateral incômodo. A direção da Blue Note passou a adiar ou engavetar discos seguintes de Morgan que fugiam da fórmula, insistindo para que ele abrisse os próximos álbuns com faixas parecidas com "The Sidewinder", um pedido de replicar o acaso comercial de uma faixa que, pela própria conta do baterista da sessão, nem tinha nascido como prioridade artística. Discos como "The Rumproller" e "The Gigolo" carregam essa marca de fábrica visível, para o bem e para o mal.
Quase uma década depois, Morgan seria morto a tiros por sua companheira num clube de Nova York, aos trinta e três anos. "The Sidewinder" continuaria sendo, ao mesmo tempo, o maior triunfo comercial de sua carreira e o molde que outros músicos passariam a copiar à exaustão, prova de que até uma faixa escrita às pressas para completar um disco pode acabar redefinindo o próprio destino de quem a gravou.
Faixas
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01 - The Sidewinder (Lee Morgan) - 10:25
02 - Totem Pole (Lee Morgan) - 10:11
03 - Gary's Notebook (Lee Morgan) - 6:03
04 - Boy, What a Night (Lee Morgan) - 7:30
05 - Hocus-Pocus (Lee Morgan) - 6:21
Créditos
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Lee Morgan, trompete
Joe Henderson, sax tenor
Barry Harris, piano
Bob Cranshaw, contrabaixo
Billy Higgins, bateria
A edição do Spotify (Rudy Van Gelder Edition) inclui uma faixa bônus, um take alternativo de "Totem Pole", além das cinco faixas originais do LP de 1964.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase HARD BOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






