- Estilo
- Free Jazz
- Gravadora
- ESP-Disk (ESP 1002)
- Gravação
- 10 de julho de 1964
- Estúdio
- Variety Arts Recording Studio, Nova York
- Produção
- Bernard Stollman
- Lançamento
- maio de 1965
Em dezembro de 1963, o advogado Bernard Stollman entrou pela primeira vez no Baby Grand Café, no Harlem, atrás de um pianista chamado Elmo Hope. No meio do set, um homem baixo, de barba com uma mecha branca, subiu ao palco sem ser anunciado, ignorou o trio que tocava e começou a soprar um saxofone sozinho. Hope fechou a tampa do piano, o baixista guardou o instrumento, o baterista largou as baquetas, e os três ficaram só escutando por vinte minutos seguidos. Stollman, que andava pensando em abrir uma gravadora, esperou o homem descer do palco encharcado de suor e ofereceu quinhentos dólares de adiantamento para ele ser o primeiro artista do selo. O nome do saxofonista era Albert Ayler.
A sessão que Stollman prometera naquela noite só aconteceu sete meses depois, em 10 de julho de 1964, no Variety Arts, um estúdio pequeno e barato perto da Times Square que o dono da Folkways Records usava com frequência. Ayler chegou com o contrabaixista Gary Peacock, que tinha acabado de sair da banda de Miles Davis e vinha também de gravar com Bill Evans, e o baterista Sunny Murray, companheiro de Ayler nos grupos de Cecil Taylor. O técnico deixou a porta da sala de controle aberta, e Stollman ouviu tudo sentado na recepção junto da esposa de Peacock. Ao fim, descobriu, horrorizado, que o engenheiro tinha gravado a sessão inteira em mono, apesar de ter pedido estéreo. Décadas depois, ele diria que, em quarenta anos, ninguém jamais reclamou disso.
O trio abandona quase por completo os dois pilares que ainda seguravam até o Free Jazz de Ornette Coleman: centro tonal fixo e pulso regular. Ayler ataca o sax tenor com uma afinação deliberadamente instável e um vibrato mais largo que qualquer coisa ouvida antes dele, um som que lembra menos um instrumento afinado e mais um choro ou um grito humano amplificado. Peacock não marca harmonia de forma convencional: constrói, por baixo do sax, frases melódicas próprias que funcionam quase como uma segunda voz solando ao mesmo tempo que Ayler, não como acompanhamento. Murray, por sua vez, troca o compasso fixo por nuvens de acentos nos pratos, criando textura e cor em vez de manter o tempo, uma função de bateria tão nova que redefiniria o papel do instrumento no free jazz que viria depois dele. Os quatro temas (dois deles, "Ghosts", em duas variações) são melodias curtas e quase infantis em sua simplicidade, herdeiras de marchas fúnebres e cânticos de igreja, que servem só de portal de entrada e saída para as improvisações livres que consomem o resto de cada faixa.
A primeira audição costuma ser desorientadora até para quem já ouve free jazz habitualmente, e a recepção da época foi dividida quase ao meio, com uma resenha da DownBeat dando zero estrela ao disco enquanto outra, na mesma edição da revista, o chamava de manifestação física de um ritual espiritual. A escuta melhora, e muito, quando se aceita a sugestão do próprio Ayler: os três músicos não estavam tocando uns para os outros, estavam se escutando, e o que soa a princípio como caos revela, com atenção, três solos simultâneos numa conversa genuína.
Ayler mandou uma cópia do disco para John Coltrane assim que saiu, e o gesto teve consequências diretas. Coltrane pressionou a Impulse! a contratar Ayler, e, meses depois de gravar sua própria incursão no coletivo livre, Ascension, ligou para o colega e admitiu que tinha percebido estar tocando como ele. Ayler respondeu que não, que Coltrane só estava sendo ele mesmo, sentindo o que ele sentia, os dois clamando pela mesma unidade espiritual que dá nome a este disco.
Faixas
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01 - Ghosts: First Variation (Albert Ayler) - 5:12
02 - The Wizard (Albert Ayler) - 7:20
03 - Spirits (Albert Ayler) - 6:46
04 - Ghosts: Second Variation (Albert Ayler) - 10:01
Créditos
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Albert Ayler, sax tenor
Gary Peacock, contrabaixo
Sunny Murray, bateria
O Spotify serve a edição de quatro faixas, igual ao LP original de 1965. A Apple Music traz a edição de 50º aniversário, com a faixa bônus "Vibrations", registrada na mesma sessão mas deixada fora do LP na época.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FREE JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

