- Estilo
- Free Jazz
- Gravadora
- Impulse! (A-77 (mono) / AS-77 (estéreo))
- Gravação
- 9 de dezembro de 1964
- Estúdio
- Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, Nova Jersey
- Engenheiro
- Rudy Van Gelder
- Produção
- Bob Thiele
- Lançamento
- janeiro de 1965
Em 9 de dezembro de 1964, John Coltrane levou seu quarteto ao Van Gelder Studio, em Englewood Cliffs, para o que parecia, à primeira vista, mais uma sessão de rotina. Não era. Semanas antes, isolado num quarto de sua casa em Dix Hills, Long Island, Coltrane tinha escrito de uma vez só a estrutura inteira de uma suíte em quatro partes, algo raro num músico conhecido por chegar ao estúdio com apenas esboços de escalas para a banda desenvolver ao vivo. Uma única sessão bastou para gravar o disco inteiro; no dia seguinte, ele chamou o saxofonista Archie Shepp e um contrabaixista extra para regravar a abertura com uma formação ampliada, mas descartou o resultado e manteve a versão original do quarteto, com sua própria voz sobreposta cantando as três sílabas que dão nome ao disco.
O contexto pessoal explica a urgência. Nas notas do encarte, Coltrane escreveu sobre um "despertar espiritual" vivido em 1957, sem citar diretamente o que o teria provocado: a superação de um vício em heroína e álcool que quase encerrou sua carreira ainda na banda de Miles Davis, e a temporada tocando ao lado de Thelonious Monk naquele mesmo ano, período em que reconstruiu tanto a saúde quanto o próprio som. Sete anos depois, A Love Supreme chegava como um agradecimento formal por aquela recuperação, uma dedicatória que Coltrane deixou explícita num poema devocional impresso na contracapa, cujas palavras ele "toca" no saxofone da última parte sem nunca as pronunciar.
A harmonia da suíte é propositalmente simples, quase um oposto do labirinto de acordes que Coltrane tinha explorado em Giant Steps, cinco anos antes. Em "Acknowledgement", o contrabaixo de Jimmy Garrison apresenta um motivo curto de quatro notas que Coltrane repete e varia, primeiro no sax, depois cantado por cima de si mesmo em dublagem, até o tema virar quase um mantra. Atrás dele, a bateria de Elvin Jones não marca o tempo de um jeito direto: solta uma nuvem contínua de acentos cruzados que empurra a música para frente sem nunca fixar um pulso único, e o piano de McCoy Tyner, apoiado em acordes quartais (empilhados em intervalos de quarta, mais abertos e menos definidos que os acordes tradicionais), dá à harmonia um chão que soa sólido e flutuante ao mesmo tempo. Em "Pursuance", depois de uma introdução só de bateria, Garrison assume um solo de contrabaixo raro para a época, quase três minutos sem acompanhamento, antes de o quarteto retomar em andamento veloz.
A devoção do material divide opinião até hoje. Ouvida como puro exercício de composição, a suíte é econômica e precisa, cada parte cumprindo sua função dentro do arco maior. Ouvida à espera do fogo mais livre de discos posteriores de Coltrane, como Ascension, pode soar contida demais, quase serena para quem já sabe o que viria a seguir. Essa mesma serenidade, porém, é o que explica seu alcance incomum: A Love Supreme vendeu centenas de milhares de cópias num mercado em que Coltrane costumava vender trinta mil, e se tornou referência para ouvintes muito além do círculo do jazz.
O disco fecha um capítulo e abre outro. Nos anos seguintes, o mesmo impulso espiritual que aqui ainda cabia dentro de quatro partes bem definidas levaria Coltrane a dissolver de vez a forma fixa, primeiro em Ascension, depois nos discos finais de sua carreira, cada vez mais próximos do grito coletivo que Ornette Coleman já vinha explorando do outro lado da cidade.
Faixas
As quatro partes formam uma suíte contínua, gravada numa única sessão. Um dia depois, em 10 de dezembro, Coltrane regravou o início da suíte com o saxofonista convidado Archie Shepp e o contrabaixista extra Art Davis, mas preferiu a versão original do quarteto, com o canto "a love supreme" sobreposto por dublagem, para o disco lançado; essas tomadas alternativas só vieram a público décadas depois, em reedições.
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01 - Parte 1: Acknowledgement (John Coltrane) - 7:43
02 - Parte 2: Resolution (John Coltrane) - 7:20
03 - Parte 3: Pursuance (John Coltrane) - 10:42
04 - Parte 4: Psalm (John Coltrane) - 7:05
Créditos
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John Coltrane, sax tenor
McCoy Tyner, piano
Jimmy Garrison, contrabaixo
Elvin Jones, bateria
As duas plataformas servem a edição estéreo original em quatro faixas, a mesma desta ficha. Uma edição "Complete Masters" mais ampla, com as sessões de 9 e 10 de dezembro de 1964 e o show ao vivo de Antibes em 1965, também circula nos dois serviços para quem quiser ouvir o material extra.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FREE JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

