- Estilo
- Free Jazz
- Gravadora
- Impulse! (A-95 (mono) / AS-95 (estéreo))
- Gravação
- 28 de junho de 1965
- Estúdio
- Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, Nova Jersey
- Engenheiro
- Rudy Van Gelder
- Produção
- Bob Thiele
- Lançamento
- fevereiro de 1966
Em 28 de junho de 1965, onze músicos se apertaram no Van Gelder Studio para uma sessão sem ensaio prévio. Coltrane distribuiu partes escritas na hora, explicou o que queria. Seria uma linha melódica que todos tocariam nos trechos de conjunto, crescendos e decrescendos depois de cada solo, e o grupo gravou duas tomadas completas, de cerca de quarenta minutos cada. Ao fim da segunda, o baterista Elvin Jones jogou a caixa contra a parede do estúdio, um gesto que os presentes leram como o anúncio de que, para ele, a sessão tinha terminado. Coltrane confessaria depois que ficou tão preocupado durante a gravação que mal conseguiu aproveitar o que estava acontecendo.
O momento de carreira não podia ser mais delicado para essa aposta. Coltrane vinha do sucesso de crítica e comercial de "A Love Supreme", tinha acabado de entrar para o hall da fama da revista DownBeat, ao lado de nomes como Coleman Hawkins e Lester Young, e liderava um quarteto reverenciado. Em vez de consolidar essa posição, decidiu reformular a banda com uma safra de músicos mais jovens e menos estabelecidos, boa parte deles vinda da cena mais radical de Nova York: Pharoah Sanders, que Coltrane tinha convidado a se juntar ao grupo depois de ouvi-lo tocar com Sun Ra, Archie Shepp, que Coltrane já tinha recomendado ao produtor Bob Thiele, e o saxofonista dinamarquês John Tchicai, que sentava em suas apresentações no Half Note. Coltrane já vinha se aproximando de Albert Ayler havia meses e essa amizade pesa tanto na concepção do disco quanto qualquer harmonia escrita.
Se o Free Jazz de Ornette Coleman, cinco anos antes, ainda separava dois quartetos reconhecíveis tocando em canais opostos, Ascension funde sete sopros numa massa sonora só, difícil de decompor em vozes individuais, mesmo para quem escuta com atenção. A peça se organiza em torno de poucos modos musicais (sequências de notas que servem de ponto de partida, não de grade fixa de acordes), sinalizados por Coltrane, Hubbard e Tyner ao longo da performance, alternando trechos de conjunto densíssimos com solos individuais que ocupam, no total, tanto espaço quanto as partes coletivas. Ao contrário do disco de Coleman, aqui ninguém guarda um papel fixo. Coltrane fez questão de dizer que não queria estrelas e cada solista recebeu tempo parecido, uma quase autogestão coletiva dentro de uma gravação ainda creditada a um líder.
A densidade é real e a reação da época foi dividida quase ao meio entre plateias que começaram a deixar seus shows e críticos que chamaram o disco de "o som humano mais poderoso já gravado". A escuta melhora com repetição, quando os blocos sonoros que a princípio soam indiferenciados revelam suas próprias texturas internas, mas ninguém deveria fingir que este é um disco fácil, nem mesmo para quem já ama o jazz mais convencional de Coltrane.
Faixas
Duas tomadas completas e de duração parecida foram gravadas na mesma sessão. O LP saiu primeiro com a segunda tomada, conhecida depois como "Edição I" (38:30 no total); meses depois, por preferência do próprio Coltrane, a Impulse! trocou as matrizes pela primeira tomada, gravada como "Edição II" (40:49), sem alterar capa nem número de catálogo, só inscrevendo "EDITION II" no sulco final do disco. A ordem dos solos muda entre as duas, e só a Edição I tem um solo de bateria de Elvin Jones. Reedições em CD a partir dos anos 1990 costumam trazer as duas tomadas completas. As durações aqui são as da Edição II, hoje a mais difundida.
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01 - Ascension (Edição II), Parte 1 (John Coltrane) - 19:34
02 - Ascension (Edição II), Parte 2 (John Coltrane) - 21:15
Créditos
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John Coltrane, sax tenor
Pharoah Sanders, sax tenor
Archie Shepp, sax tenor
Marion Brown, sax alto
John Tchicai, sax alto
Freddie Hubbard, trompete
Dewey Johnson, trompete
McCoy Tyner, piano
Jimmy Garrison, contrabaixo
Art Davis, contrabaixo
Elvin Jones, bateria
As duas plataformas trazem as duas tomadas gravadas na sessão, Edição I e Edição II (ver faixas_nota). O LP original de 1966 trazia só uma delas por vez, conforme a prensagem.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FREE JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

