- Estilo
- Free Jazz
- Gravadora
- Atlantic (SD 1364 (estéreo) / 1364 (mono))
- Gravação
- 21 de dezembro de 1960
- Estúdio
- A&R Recording Studios, Nova York
- Engenheiro
- Tom Dowd
- Produção
- Nesuhi Ertegün
- Lançamento
- setembro de 1961
Na noite de 21 de dezembro de 1960, oito músicos se apertaram no estúdio da A&R Recording, em Nova York, divididos em dois quartetos completos, um alocado em cada canal do gravador estéreo. Entre as oito da noite e a meia-noite e meia, gravaram uma única improvisação contínua de trinta e seis minutos e vinte e três segundos, sem overdub, sem edição, quase sem partitura. Antes de chegar a essa tomada, o grupo tinha feito um ensaio gravado de dezessete minutos, guardado na gaveta da gravadora por mais de uma década até sair, batizado de "First Take", numa coletânea de 1971 chamada Twins. A fita de trinta e seis minutos virou o disco Free Jazz: A Collective Improvisation, título que a história acabaria emprestando para batizar todo um movimento.
Coleman já vinha de três discos na Atlantic que tinham incomodado boa parte da crítica de jazz, The Shape of Jazz to Come, Change of the Century e This Is Our Music, mas em todos eles ainda restava um quarteto tocando dentro de uma forma reconhecível, mesmo sem sequência fixa de acordes. Para o quarto disco, o produtor Nesuhi Ertegün topou uma ideia mais radical: dobrar o quarteto. De um lado do canal estéreo tocava o time de sempre, Don Cherry no trompete de bolso, Scott LaFaro no contrabaixo e Billy Higgins na bateria; do outro, quatro convidados, Eric Dolphy no clarinete baixo, Freddie Hubbard no trompete, Charlie Haden no contrabaixo e Ed Blackwell na bateria. LaFaro tinha gravado, dois dias antes, sessões experimentais ao lado do compositor erudito Gunther Schuller, e entraria, semanas depois, no lugar de Haden no quarteto fixo de Coleman. Dolphy, então sideman requisitado por Charles Mingus, trazia ao grupo um sopro grave que nenhum disco anterior de Coleman tinha usado.
Sem harmonia fixa para seguir, os oito músicos se guiam só pelo que ouvem uns dos outros no instante exato, entradas e saídas negociadas ao vivo, apoiadas em pouquíssimos temas curtos, combinados de antemão só para marcar onde cada solo começa e termina. No fone ou em caixas bem separadas, o efeito fica claro: à esquerda, Coleman conversa com seus companheiros de sempre; à direita, o quarteto convidado responde, entra por cima, às vezes discorda. É o mais perto que o jazz tinha chegado, até ali, de uma conversa cruzada entre oito vozes ao mesmo tempo, algo que nem a orquestração mais ousada do bebop tinha tentado. O clarinete baixo de Dolphy rasga o meio da massa sonora com um timbre quase vocal, grave e áspero ao mesmo tempo, enquanto o trompete mais convencional de Hubbard soa como o visitante mais preso ao vocabulário do hard bop da época, o que não é bem um defeito, é um contraste que ajuda o ouvinte a se orientar dentro do caos organizado.
Para quem ouve hoje pela primeira vez, os trinta e seis minutos podem soar mais perto de ruído coletivo do que de composição, sobretudo nos trechos em que os oito tocam juntos sem nenhum tema guiando o ouvido. A escuta melhora muito na segunda ou terceira passada, quando fica claro que cada solo individual, o de LaFaro em especial, que já antecipa o virtuosismo que faria dele referência no trio de Bill Evans meses depois, segue uma lógica interna, mesmo sem grade harmônica por trás.
A capa reproduzia "White Light", pintura de 1954 de Jackson Pollock, e a escolha não era decoração: a mesma pulsão de deixar o gesto guiar o resultado, sem esboço prévio, corria por trás da tinta e da fita magnética daquele dezembro. O título do disco virou o nome do movimento inteiro, e o caminho que ele abriu levaria, poucos anos depois, ao mergulho ainda mais radical de John Coltrane em Ascension.
Faixas
O LP original de 1961 traz uma única improvisação contínua de 36 minutos e 23 segundos, gravada em tomada única, dividida entre os dois lados do disco só por limitação física do vinil (o lado um termina em fade rápido e o lado dois retoma a partir dali). Por isso a duração exata de cada metade não é um dado documentado à parte; reedições em CD e streaming costumam reunir as duas partes numa faixa só, com durações que variam de 37:03 a 37:10 conforme a masterização.
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01 - Free Jazz (Parte Um) (Ornette Coleman)
02 - Free Jazz (Parte Dois) (Ornette Coleman)
Créditos
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Ornette Coleman, sax alto (canal esquerdo)
Don Cherry, trompete de bolso (canal esquerdo)
Scott LaFaro, contrabaixo (canal esquerdo)
Billy Higgins, bateria (canal esquerdo)
Eric Dolphy, clarinete baixo (canal direito)
Freddie Hubbard, trompete (canal direito)
Charlie Haden, contrabaixo (canal direito)
Ed Blackwell, bateria (canal direito)
As duas plataformas servem a edição Rhino de 2005, com duas faixas: a improvisação de 1960 completa (creditada como "Free Jazz, Pts. 1 & 2", reunindo em faixa única o que o LP original dividia entre os dois lados) e, como bônus, "First Take", o ensaio mais curto da mesma sessão, publicado pela primeira vez só em 1971 no disco Twins. O LP original de 1961 não tinha essa segunda faixa.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FREE JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






