- Estilo
- Free Jazz
- Gravadora
- BRÖ (edição original); FMP (reedição) (sem número (edição original de 1968))
- Gravação
- 28 de maio de 1968
- Estúdio
- Lila Eule, Bremen, Alemanha
- Engenheiro
- Günther Zipelius
- Produção
- Peter Brötzmann
- Lançamento
- 1968
Em 28 de maio de 1968, oito músicos se reuniram no Lila Eule, um bar de Bremen que servia ocasionalmente de estúdio, para gravar um disco que o saxofonista Peter Brötzmann bancaria do próprio bolso. A tiragem original saiu tão pequena e artesanal que Brötzmann ficou sem capas impressas e precisou terminar de vender os discos restantes em embalagens improvisadas, desenhadas à mão ou cobertas só por adesivos. Foi assim, quase como um panfleto, que nasceu um dos discos mais influentes da história do free jazz europeu.
O título e o apelido vieram do trompetista americano Don Cherry, que teria batizado Brötzmann de "Machine Gun" (metralhadora) pelo jeito como ele atacava o saxofone, em rajadas curtas e ininterruptas. Brötzmann reconheceria depois que o nome também carregava um peso mais sombrio, ligado à Guerra do Vietnã, que dominava os noticiários daquele mesmo ano. Uma coincidência curiosa: o guitarrista Jimi Hendrix usaria o mesmo título para uma música sua poucos anos depois, sem relação direta com o disco alemão. A ideia da formação incomum, com três saxofones tenores tocando juntos, veio de um show que Brötzmann assistiu, meses antes, à orquestra de Lionel Hampton tocar "Flying Home" com uma fileira de tenores tocando em uníssono. Impressionado com aquele som coletivo, Brötzmann reuniu os saxofonistas disponíveis para uma sessão sem planejamento formal, guiada só por poucas anotações e desenhos que Brötzmann levou no bolso.
O que se ouve é uma onda sonora quase contínua: três saxofones tenores disparando rajadas de notas sobrepostas, dois contrabaixos e duas baterias criando um crescendo permanente, sem os respiros que mesmo o free jazz americano da época costumava abrir entre um solo e outro. Os primeiros quarenta e cinco segundos do disco, um dos trechos mais citados da história do free jazz europeu, já entregam o tom inteiro: nenhum tema é apresentado antes do caos, o caos é o próprio tema. Por trás daquilo que soa como ruído puro, porém, existe estrutura: Brötzmann organizou a peça-título como uma sequência de solo, acompanhamento de solo e novo solo, um esquema que ele próprio comparou ao compositor erudito Charles Ives. As duas faixas menores, assinadas por Fred Van Hove e Willem Breuker, abrem espaço para texturas mais definidas, como o duelo entre o clarinete baixo de Breuker e a bateria de Bennink em "Music for Han Bennink".
Para a maioria dos ouvintes da época, o veredito foi duro: Machine Gun soava só como barulho, e, mesmo hoje, continua sendo um dos discos mais fisicamente desafiadores desta lista, quase impossível de ouvir em volume baixo sem perder o impacto que o justifica. Mas, por trás da agressividade, está um grupo extremamente atento uns aos outros, capaz de virar de direção junto, no mesmo instante, como só músicos que já confiam plenamente na escuta coletiva conseguem fazer.
Décadas depois, Brötzmann refletiria sobre as esperanças políticas que cercavam aquele disco: a geração de 1968 achava que a música podia mudar o sistema, abrir horizontes, alcançar almas individuais. "Mas a visão era maior que a realidade", diria ele. "A realidade e o capitalismo são mais fortes que qualquer coisa." Machine Gun continua, mesmo assim, como o documento sonoro mais direto daquele momento de otimismo, e o modelo que bandas como Last Exit e Naked City citariam décadas depois como ponto de partida.
Faixas
Estas são as três faixas do LP original de 1968, numa tiragem particular tão pequena que Brötzmann chegou a ficar sem capas impressas antes de esgotar os discos. A edição em streaming, mais ampla, acrescenta uma segunda tomada de "Machine Gun", uma tomada alternativa de "Responsible" e uma gravação ao vivo do tema-título, feita dois meses antes no Festival de Jazz de Frankfurt.
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01 - Machine Gun (Peter Brötzmann) - 17:16
02 - Responsible (For Jan van de Ven) (Fred Van Hove) - 8:17
03 - Music for Han Bennink (Willem Breuker) - 11:22
Créditos
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Peter Brötzmann, sax tenor e sax barítono
Willem Breuker, sax tenor e clarinete baixo
Evan Parker, sax tenor
Fred Van Hove, piano
Peter Kowald, contrabaixo
Buschi Niebergall, contrabaixo
Han Bennink, bateria
Sven-Åke Johansson, bateria
As duas plataformas servem só a edição de 2007, The Complete Machine Gun Sessions, com seis faixas: as três do LP original de 1968, mais duas tomadas alternativas e uma gravação ao vivo de dois meses antes. Não há, nas duas plataformas, uma edição enxuta com só as três faixas originais.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FREE JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

