- Estilo
- Hard Bop
- Gravadora
- Blue Note (BLP 4195 (mono) / BST 84195 (estéreo))
- Gravação
- 17 de março de 1965
- Estúdio
- Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, Nova Jersey
- Engenheiro
- Rudy Van Gelder
- Produção
- Alfred Lion
- Lançamento
- 17 de maio de 1965
"Maiden Voyage", a faixa-título do disco, não nasceu pensada como abertura de obra-prima. Herbie Hancock a escreveu como jingle instrumental para um comercial de televisão, um detalhe que ele revelaria só décadas depois. O mesmo vale para "Little One": escrita como uma homenagem a Miles Davis, a composição já tinha sido gravada, poucos meses antes, pelo próprio quinteto de Davis, com Wayne Shorter no lugar do saxofonista que Hancock chamaria para este disco. Maiden Voyage, o álbum, não foi concebido como uma suíte marítima unificada; a ideia de um disco sobre o oceano, com faixas batizadas de tempestades e golfinhos, veio depois, quando as cinco composições já estavam escritas e prontas.
A sessão de 17 de março de 1965, no Van Gelder Studio, não foi a primeira tentativa. Seis dias antes, o mesmo grupo tinha tentado gravar três das cinco faixas com uma formação ligeiramente diferente, o trompetista Freddie Hubbard tocando cornetim em vez de trompete e o baterista Stu Martin no lugar de Tony Williams. O resultado desagradou a todos, e as fitas daquela primeira tentativa nunca foram encontradas. Na segunda vez, com Williams de volta à bateria e Hubbard no trompete, o quinteto gravou o disco inteiro num único dia. Além de Hancock, a banda reunia três quartos do quinteto de Miles Davis daquele momento, Hubbard no lugar do próprio Davis e o contrabaixista Ron Carter e o baterista Williams em seus postos de sempre, com o tenorista George Coleman completando o grupo pouco antes de ser substituído, na banda de Davis, justamente por Wayne Shorter.
As cinco composições de Hancock equilibram um pé na melodia cantável e outro na experimentação. Em "Maiden Voyage", o piano e o contrabaixo criam um vamp repetido, um padrão curto de acordes que se repete sem resolver numa tonalidade fixa, dando à faixa aquela sensação de balanço suave sobre água aberta que o título sugere. "The Eye of the Hurricane" é um blues de doze compassos disfarçado, com uma mudança de métrica no sétimo compasso que engana o ouvido antes de a forma tradicional do blues reaparecer por baixo. Já "Survival of the Fittest" abandona quase de vez a forma fixa: Hancock e Williams se lançam numa improvisação quase livre, mais próxima do vocabulário que Williams vinha explorando em discos mais radicais do próprio catálogo Blue Note daquele ano, uma pausa de tensão entre duas faixas mais líricas. "Dolphin Dance", que fecha o disco, tem uma harmonia inspirada, segundo o próprio Hancock, em "Shiny Stockings" de Count Basie, mas levada a um território bem mais denso e imprevisível que o modelo original.
A coesão do disco como "conceito oceânico" é, em parte, uma narrativa construída depois do fato e ouvir as faixas sabendo disso não diminui a música, mas ajuda a entender por que "Survival of the Fittest" soa tão distante do resto em espírito. O grupo, porém, está em sintonia rara: Hubbard equilibra frases rápidas e desconexas com resoluções claras, Coleman serve de âncora mais tradicional em meio a uma harmonia às vezes ambígua, e a dupla Carter/Williams, já rodada de anos ao lado de Davis, dá a tudo um chão que nunca deixa a música se perder de vez na abstração.
Maiden Voyage se tornaria um dos discos com mais covers da história do Blue Note, com "Maiden Voyage" e "Dolphin Dance" entrando para o repertório obrigatório de qualquer estudante de jazz. Recebeu, décadas depois, o Grammy Hall of Fame Award, reconhecimento tardio para um disco que, na hora do lançamento, era só mais um trabalho competente de um pianista que ainda dividia seu tempo entre a própria carreira e a banda mais importante do jazz americano daquele momento.
Faixas
Seis dias antes desta sessão, em 11 de março de 1965, o quinteto tinha tentado gravar "Maiden Voyage", "Little One" e "Dolphin Dance" numa formação ligeiramente diferente, com Hubbard no cornetim e Stu Martin no lugar de Tony Williams na bateria. O resultado foi rejeitado e as fitas dessa sessão nunca foram encontradas; o disco que chegou às lojas é inteiramente da sessão de 17 de março.
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01 - Maiden Voyage (Herbie Hancock) - 7:58
02 - The Eye of the Hurricane (Herbie Hancock) - 6:02
03 - Little One (Herbie Hancock) - 8:48
04 - Survival of the Fittest (Herbie Hancock) - 10:06
05 - Dolphin Dance (Herbie Hancock) - 9:17
Créditos
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Herbie Hancock, piano
Freddie Hubbard, trompete
George Coleman, sax tenor
Ron Carter, contrabaixo
Tony Williams, bateria
As duas plataformas servem as cinco faixas originais do LP de 1965, remasterizadas.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase HARD BOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

