- Estilo
- Free Jazz
- Gravadora
- Blue Note (BLP 4163 (mono) / BST 84163 (estéreo))
- Gravação
- 25 de fevereiro de 1964
- Estúdio
- Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, Nova Jersey
- Engenheiro
- Rudy Van Gelder
- Produção
- Alfred Lion
- Lançamento
- agosto de 1964
A capa de "Out to Lunch!" mostra a foto de uma placa de loja fechada, do tipo "Volto já", pendurada sobre um relógio com sete ponteiros em vez de dois. É a imagem perfeita para um disco que também parece operar noutro tipo de tempo. Gravado em 25 de fevereiro de 1964, foi a única vez que Eric Dolphy assinou como líder um disco para a Blue Note, quatro meses antes de morrer. Nas notas originais, Dolphy resumiu o espírito da sessão numa frase: todo mundo ali era líder, ninguém estava só acompanhando ninguém.
Essa divisão igualitária de papéis não era acidente. Dolphy escolheu a dedo cada músico da banda por já ter tocado com quase todos antes. Freddie Hubbard tinha dividido apartamento com ele quando os dois chegaram a Nova York e já aparecia no próprio disco de estreia de Dolphy como líder, em 1960. Bobby Hutcherson e o contrabaixista Richard Davis vinham das sessões de 1963 que geraram os discos "Iron Man" e "Conversations". Só o baterista Tony Williams era relativamente novo no círculo de Dolphy, um garoto de dezoito anos que tinha acabado de entrar para o segundo grande quinteto de Miles Davis. Dolphy descreveu o efeito de cada um deles em termos quase físicos: o contrabaixo de Davis "leva você para outro lugar" em vez de simplesmente marcar a harmonia, e o vibrafone de Hutcherson, escolhido no lugar de um piano, tinha um som "mais livre e mais aberto", já que piano, nas palavras do próprio Dolphy, tende a "controlar" quem toca ao redor dele.
"Hat and Beard", que abre o disco, homenageia Thelonious Monk no título e no espírito, com o clarinete baixo de Dolphy torto e anguloso por cima de um interlúdio quase só de percussão entre Williams e Hutcherson. "Gazzelloni", batizada em homenagem ao flautista clássico Severino Gazzelloni, com quem Dolphy tinha estudado o instrumento, é a faixa mais próxima do bebop convencional do disco: o próprio Dolphy explicou que a banda segue a estrutura escrita pelos primeiros treze compassos, e só depois disso vem a liberdade total. Na faixa-título, o pulso do tempo nunca é dito de forma explícita, fica só sugerido por baixo da superfície, enquanto a seção rítmica quebra a marcação esperada em pedaços. "Straight Up and Down", que fecha o disco, tenta descrever em música o andar cambaleante de um bêbado, com Dolphy soltando notas duplas e efeitos quase vocais no sax alto que imitam esse desequilíbrio proposital.
Diferente do free jazz mais radical de Ornette Coleman ou Cecil Taylor, que abriam mão quase por completo da forma escrita, Dolphy mantém aqui um controle composicional rígido por trás da aparência de caos. Cada uma das cinco faixas tem estrutura, tema e arranjo cuidadosamente pensados, e a sensação de liberdade vem menos da ausência de regras e mais da distância entre o que se espera ouvir e o que realmente soa. É um equilíbrio delicado que a própria crítica especializada reconhece como conquista rara: um disco de vanguarda que nunca soa desleixado, mesmo esticando ao máximo os limites do que o jazz da época considerava aceitável.
Quatro meses depois dessa sessão, Dolphy morreu em Berlim, de um coma diabético não diagnosticado, durante uma turnê pela Europa ao lado de Charles Mingus. Ele já tinha decidido ficar na Europa de vez, cansado de ver seu trabalho mais experimental rejeitado nos Estados Unidos. "Out to Lunch!" chegou às lojas em agosto daquele ano, um mês antes de qualquer disco novo de Dolphy voltar a ser possível, e se tornaria, décadas depois, referência direta para gerações inteiras de instrumentistas de vanguarda que vieram depois dele.
Faixas
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01 - Hat and Beard (Eric Dolphy) - 8:24
02 - Something Sweet, Something Tender (Eric Dolphy) - 6:02
03 - Gazzelloni (Eric Dolphy) - 7:22
04 - Out to Lunch (Eric Dolphy) - 12:06
05 - Straight Up and Down (Eric Dolphy) - 8:19
Créditos
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Eric Dolphy, clarinete baixo (1, 2)
Eric Dolphy, flauta (3)
Eric Dolphy, sax alto (4, 5)
Freddie Hubbard, trompete
Bobby Hutcherson, vibrafone
Richard Davis, contrabaixo
Tony Williams, bateria
Este disco pertence à fase FREE JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

