- Estilo
- Free Jazz
- Gravadora
- Blue Note (BLP 4167 (mono) / BST 84167 (estéreo))
- Gravação
- 21 de março de 1964
- Estúdio
- Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, Nova Jersey
- Engenheiro
- Rudy Van Gelder
- Produção
- Alfred Lion
- Lançamento
- abril de 1965
Andrew Hill tinha uma regra pessoal incomum para um músico de jazz: recusava-se a ouvir discos de outros artistas, num esforço deliberado para manter sua própria linguagem livre de influência direta. Em 21 de março de 1964, essa linguagem isolada e particular encontrou, num único dia de estúdio, o elenco mais forte que qualquer contrato de início de carreira na Blue Note já tinha reunido para um pianista pouco conhecido do grande público: o veterano do bebop Kenny Dorham no trompete, o então ainda emergente Joe Henderson no sax tenor, e o já lendário Eric Dolphy, chamado para completar o naipe de sopros com sax alto, clarinete baixo e flauta.
A cadeia de indicações por trás dessa escalação conta sua própria história sobre como o selo funcionava naquele momento. Tinha sido Dorham quem apresentara Henderson à Blue Note no ano anterior, e Henderson, por sua vez, recomendara Hill ao produtor Alfred Lion, dizendo que o pianista viria a se tornar uma referência. Completavam o sexteto o contrabaixista Richard Davis e o baterista Tony Williams, ambos vindos direto de outra sessão histórica: exatamente um mês antes, os dois tinham gravado Out to Lunch!, o disco de Eric Dolphy como líder, e traziam para esta data a mesma familiaridade recém-adquirida com o material mais experimental do momento.
O que se ouve é uma harmonia que raramente resolve de forma previsível, apoiada em temas angulares e formas de composição fora do padrão de trinta e dois compassos que dominava o jazz até ali. "Refuge", a faixa de abertura com mais de doze minutos, apresenta um tema em modo menor que se desdobra através de acordes abertos cheios de sétimas, nonas e décimas primeiras, antes de abrir espaço para solos que Williams pontua com uma condução rítmica avançada demais para seus dezoito anos de idade. "New Monastery" presta uma homenagem clara a Thelonious Monk, com motivos de metal angulares que lembram diretamente o vocabulário do próprio Monk, tornando-se a faixa mais acessível do disco. "Dedication", que fecha o álbum, nasceu sob o título provisório de "Cadaver". Hill queria, em suas próprias palavras, algo que se encaixasse numa marcha fúnebre, e o resultado foi tão pesaroso que Dorham, ao tocar sua parte, chegou às lágrimas durante a própria gravação.
Point of Departure ocupa um ponto quase isolado no tempo: gravado um mês depois de Out to Lunch! e um mês antes de Night Dreamer, a estreia de Wayne Shorter na Blue Note, o disco de Hill soa mais radical que os dois vizinhos cronológicos mais próximos, antecipando em anos texturas rítmicas que só reapareceriam de forma parecida nas sessões de Miles Davis para Sorcerer e Nefertiti, já em 1967, com o mesmo Tony Williams na bateria.
Apesar do elogio unânime da crítica ao longo das décadas seguintes, Point of Departure nunca deu a Hill o público mais amplo que sua reputação entre músicos sugeria. Ele seguiria como o que a crítica chamaria de "músico de músico", respeitado por pares e conhecedores, mas sem o reconhecimento comercial de contemporâneos como Art Blakey ou Lee Morgan no mesmo catálogo da Blue Note. O selo, ainda assim, continuaria investindo nele: entre 1963 e 1970, Hill gravaria uma dúzia de discos para a gravadora, um voto de confiança raro para um artista de vendas tão modestas, e nenhum desses discos seria tão influente quanto este.
Faixas
Dolphy toca sax alto em "Refuge", "New Monastery" e "Spectrum"; clarinete baixo em "Spectrum", "Flight 19" e "Dedication"; e flauta em "Spectrum", ao lado da flauta de Henderson na mesma faixa.
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01 - Refuge (Andrew Hill) - 12:16
02 - New Monastery (Andrew Hill) - 7:05
03 - Spectrum (Andrew Hill) - 9:47
04 - Flight 19 (Andrew Hill) - 4:18
05 - Dedication (Andrew Hill) - 6:45
Créditos
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Andrew Hill, piano
Kenny Dorham, trompete
Eric Dolphy, sax alto, clarinete baixo e flauta
Joe Henderson, sax tenor e flauta
Richard Davis, contrabaixo
Tony Williams, bateria
As duas plataformas servem a edição Rudy Van Gelder de 1999, com oito faixas: as cinco originais do LP de 1965, mais três tomadas alternativas de "New Monastery", "Flight 19" e "Dedication" que não faziam parte da versão original.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FREE JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

