- Estilo
- Hard Bop
- Gravadora
- Blue Note (BLP 4194 (mono) / BST 84194 (estéreo))
- Gravação
- 24 de dezembro de 1964
- Estúdio
- Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, Nova Jersey
- Engenheiro
- Rudy Van Gelder
- Produção
- Alfred Lion
- Lançamento
- junho de 1966
Na véspera de Natal de 1964, Wayne Shorter entrou no estúdio de Rudy Van Gelder com um repertório curiosamente sombrio para a época do ano: uma faixa sobre caça às bruxas, outra sobre um gigante ameaçador de conto de fadas, uma terceira sobre uma dança de cadáveres. Duas semanas antes, no mesmo circuito de estúdios de Nova Jersey, John Coltrane tinha acabado de gravar "A Love Supreme". Shorter, que herdaria o posto de Coltrane como saxofonista de Miles Davis naquele mesmo ano, escolhia um caminho de composição bem diferente do místico disco do colega: menos declaração espiritual, mais miniaturas narrativas cheias de humor negro.
1964 tinha sido o ano mais decisivo da carreira de Shorter até ali. Ainda no início do ano, ele integrava o Jazz Messengers de Art Blakey como diretor musical de fato. Em abril, estreou como líder na Blue Note com "Night Dreamer". Em agosto, gravou "JuJu". Em setembro, entrou para o quinteto de Miles Davis. Essa sessão de dezembro reuniu, pela primeira vez num estúdio, três dos futuros pilares desse quinteto, o próprio Shorter, o pianista Herbie Hancock e o contrabaixista Ron Carter, um mês antes de os três, ao lado de Miles, gravarem "E.S.P.", o disco de estreia da formação clássica. O quinteto de "Speak No Evil" se completava com o trompetista Freddie Hubbard e o baterista Elvin Jones, emprestado da própria banda de Coltrane.
A faixa-título abre com uma melodia que soa quase como um bolero distorcido, escrita sobre uma estrutura harmônica que se movimenta em blocos inteiros em vez de acordes individuais, um jeito de compor que Shorter descreveria depois como pensar em "paisagens sonoras" antes de pensar em solos. "Witch Hunt" caminha em blues anguloso, com Hubbard e Shorter expondo o tema em uníssono cortante antes de recuar para os solos, enquanto "Dance Cadaverous", apesar do título macabro, é na verdade uma balada tranquila em compasso de valsa, quase gentil. "Infant Eyes", escrita para a filha recém-nascida de Shorter, Miyako, dispensa o trompete e vira o momento mais íntimo do disco: só sax, piano, baixo e bateria, com Hancock pontuando cada frase de Shorter com acordes esparsos, nunca preenchendo o silêncio à toa.
A crítica costuma tratar "Speak No Evil" como o auge da fase de Shorter como líder na Blue Note, ao lado talvez só de "JuJu". Mas mesmo seus maiores admiradores fazem uma ressalva: o disco não tem a mesma sensação de evento histórico de "Kind of Blue" ou "A Love Supreme", os dois discos contemporâneos aos quais é inevitavelmente comparado. O que sustenta "Speak No Evil" é outra coisa, mais discreta: a precisão de composição de Shorter, cada tema com sua própria lógica narrativa, e o encaixe raro entre cinco músicos que, em poucas semanas, se tornariam uma das bandas mais influentes da história do jazz.
Apesar de gravado no fim de 1964, o disco só chegaria às lojas em junho de 1966, atraso comum no catálogo da Blue Note daquela época, quando a gravadora lançava discos represados numa fila que às vezes levava anos para desafogar. Quando "Speak No Evil" finalmente saiu, o quinteto de Miles Davis que ele ajudou a formar já tinha gravado três discos e se firmado como a referência definitiva do jazz pós-bop da década.
Faixas
Freddie Hubbard não toca em "Infant Eyes": a balada, escrita para a filha recém-nascida de Shorter, Miyako, foi gravada só com o quarteto de sax, piano, baixo e bateria.
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01 - Witch Hunt (Wayne Shorter) - 8:11
02 - Fee-Fi-Fo-Fum (Wayne Shorter) - 5:54
03 - Dance Cadaverous (Wayne Shorter) - 6:45
04 - Speak No Evil (Wayne Shorter) - 8:23
05 - Infant Eyes (Wayne Shorter) - 6:54
06 - Wild Flower (Wayne Shorter) - 6:06
Créditos
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Wayne Shorter, sax tenor
Freddie Hubbard, trompete (1, 2, 3, 4, 6)
Herbie Hancock, piano
Ron Carter, contrabaixo
Elvin Jones, bateria
Este disco pertence à fase HARD BOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

