- Estilo
- Hard Bop
- Gravadora
- Impulse! (A-5 (mono) / AS-5 (estéreo))
- Gravação
- 23 de fevereiro de 1961
- Estúdio
- Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, Nova Jersey
- Engenheiro
- Rudy Van Gelder
- Produção
- Creed Taylor
- Lançamento
- 1 de agosto de 1961
Em 23 de fevereiro de 1961, o saxofonista e arranjador Oliver Nelson reuniu no estúdio de Rudy Van Gelder um sexteto que nunca mais voltaria a tocar junto daquele jeito. Era a única vez que Bill Evans gravaria com Nelson e Eric Dolphy, que vinha de uma semana inteira de sessões diferentes, quase um estúdio por dia, num ritmo de trabalho que hoje parece impensável. O produtor Creed Taylor contaria depois que Nelson nem contava a entrada da banda verbalmente: pulava no ar e caía de volta no chão exatamente no primeiro tempo, um gesto físico que resumia bem a precisão nervosa de suas próprias composições.
Nelson já tinha lançado discos como líder desde 1959, mas nenhum com essa repercussão. Ele era mais conhecido até então como arranjador para orquestras maiores do que como solista de destaque e "The Blues and the Abstract Truth" foi seu primeiro disco para a Impulse!, selo recém-criado que buscava, com capas em gatefold laranja e preto, se apresentar como a vanguarda comercialmente viável do jazz moderno. O disco chegaria às lojas em agosto daquele ano, poucos meses antes de a própria Impulse! assinar com John Coltrane e se tornar, para a história do jazz, sinônimo do próprio saxofonista.
"Stolen Moments", a faixa que abre o disco e se tornaria um standard tocado até hoje, usa uma estrutura de dezesseis compassos que o próprio Nelson descreveu como um esquema oito-seis-dois, mas os solos seguem o blues tradicional de doze compassos em dó menor, um contraste entre forma erudita e improviso popular que resume bem a proposta do título do disco. "Cascades" estica ainda mais essa lógica, alongando a forma clássica AABA de trinta e dois compassos para cinquenta e seis, trocando a seção A por um blues menor de dezesseis compassos. O efeito, para quem não é músico, é sutil mas perceptível. A melodia demora mais para voltar ao ponto de partida do que o ouvido espera, um adiamento calculado que dá ao disco parte de sua tensão elegante.
Dolphy é quem rouba a cena instrumentalmente, com um fraseado de saxofone alto e flauta que já antecipa a linguagem mais aberta que exploraria nos anos seguintes ao lado de Coltrane, especialmente em "Yearnin'", onde seus solos escapam por um instante do clima de big band que domina o resto da faixa. Já o próprio Nelson, como instrumentista, é discreto perto dos colegas de banda. Seu tenor e seu alto cumprem bem o papel escrito, mas raramente competem em impacto com os solos de Dolphy ou Hubbard. O barítono de George Barrow, que não solta um único solo no disco inteiro, sustenta silenciosamente as vozes internas dos arranjos, um trabalho que só se nota de verdade numa segunda ou terceira escuta.
A reputação de Nelson como compositor e arranjador, mais do que como solista, é exatamente o que sustenta "The Blues and the Abstract Truth" até hoje. Não é um disco de proezas individuais espetaculares, mas de escrita precisa posta a serviço de um time de solistas de primeira linha, prova de que a genialidade de um líder de banda nem sempre precisa estar no próprio instrumento que ele toca.
Faixas
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01 - Stolen Moments (Oliver Nelson) - 8:45
02 - Hoe-Down (Oliver Nelson) - 4:43
03 - Cascades (Oliver Nelson) - 5:30
04 - Yearnin' (Oliver Nelson) - 6:20
05 - Butch and Butch (Oliver Nelson) - 4:35
06 - Teenie's Blues (Oliver Nelson) - 6:31
Créditos
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Oliver Nelson, sax tenor
Oliver Nelson, sax alto (6)
Eric Dolphy, sax alto e flauta
Freddie Hubbard, trompete
George Barrow, sax barítono
Bill Evans, piano
Paul Chambers, contrabaixo
Roy Haynes, bateria
Este disco pertence à fase HARD BOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






