- Estilo
- Free Jazz
- Gravadora
- Blue Note (BLP 4237 (mono) / BST 84237 (estéreo))
- Gravação
- 19 de maio de 1966
- Estúdio
- Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, Nova Jersey
- Engenheiro
- Rudy Van Gelder
- Produção
- Alfred Lion
- Lançamento
- outubro de 1966
Em maio de 1966, Cecil Taylor não gravava um disco próprio havia quatro anos. Nesse meio-tempo tinha se sustentado, entre outros bicos, lavando pratos em restaurantes de Nova York, apesar de já ter uma década de carreira desde seu disco de estreia, Jazz Advance, de 1956. Recém-contratado pela Blue Note, um selo que já vinha arriscando em jazz de vanguarda, mesmo sem grande retorno comercial, Taylor reuniu um septeto de músicos afinados com sua linguagem e entrou no Van Gelder Studio para gravar, numa única sessão, o disco que se tornaria seu primeiro para o selo e um dos mais radicais do catálogo inteiro da gravadora.
Formado em piano clássico desde criança, Taylor chegou ao jazz já carregando referências que poucos de seus contemporâneos tinham: admirava Duke Ellington tanto quanto compositores eruditos como Stravinsky, Bartók e Stockhausen, e via essas duas tradições não como opostas, mas como material bruto do mesmo projeto. "Unit Structures", o título do disco e também o nome que Taylor dava ao próprio método de composição, descreve bem essa mistura. Em vez de escrever um tema único para servir de base a variações improvisadas, como fazia praticamente todo o jazz até ali, Taylor construía cada peça a partir de módulos, ou unidades, que o grupo percorria em sequência, quase como blocos de construção sonora encaixados uns nos outros.
O resultado é denso e raramente tonal, sustentado por uma orquestração incomum até para os padrões do free jazz da época. Temos dois contrabaixistas tocando ao mesmo tempo, Henry Grimes com um som mais firme e terreno, Alan Silva mais etéreo e fugidio, o trompete de Eddie Gale, o sax alto de Jimmy Lyons e o sax alto, oboé e clarinete baixo de Ken McIntyre, trocando de instrumento conforme a peça pede, e o próprio Taylor ao piano, tocando também sinos em certos trechos. Depois da energia quase ininterrupta de "Steps", a faixa "Enter, Evening" muda de temperatura por completo: o oboé de McIntyre e os sinos de Taylor criam um clima quase de música de câmara contemporânea, ponteada por silêncios longos, antes de o disco voltar à fúria coletiva em "Unit Structure/As of a Now/Section", os quase dezoito minutos que ocupam sozinhos o lado B inteiro do LP original.
Esta não é música fácil de entrar, mesmo para quem já gosta de free jazz. A ausência quase total de melodia reconhecível e a complexidade rítmica da escrita de Taylor pedem uma escuta mais próxima de música erudita contemporânea do que da maioria dos discos desta lista, e é por isso que a crítica da época, mesmo favorável, sempre vinha acompanhada de ressalvas sobre a dificuldade do material. Mas é exatamente essa recusa em facilitar que faz Unit Structures soar, ainda hoje, mais parecido com o futuro do jazz do que com qualquer movimento do seu próprio tempo.
O piano de Taylor, com sua energia quase percussiva e sua recusa de qualquer centro tonal fixo, continuaria a ser citado, décadas depois, como um dos pontos fora da curva mais influentes de toda a história do jazz, referência direta para gerações de pianistas que vieram depois dele tentando reconciliar o mesmo par de tradições, a erudita e a afro-americana, que Taylor já levava para dentro do estúdio em 1966.
Faixas
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01 - Steps (Cecil Taylor) - 10:20
02 - Enter, Evening (Soft Line Structure) (Cecil Taylor) - 11:06
03 - Unit Structure / As of a Now / Section (Cecil Taylor) - 17:47
04 - Tales (8 Whisps) (Cecil Taylor) - 7:14
Créditos
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Cecil Taylor, piano e sinos
Eddie Gale, trompete
Jimmy Lyons, sax alto
Ken McIntyre, sax alto, oboé e clarinete baixo
Henry Grimes, contrabaixo
Alan Silva, contrabaixo
Andrew Cyrille, bateria
As duas plataformas servem cinco faixas, incluindo uma tomada alternativa de "Enter, Evening" adicionada em reedições em CD; o LP original de 1966 trazia só as quatro faixas listadas abaixo.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FREE JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

