- Estilo
- Swing
- Gravadora
- Columbia (CJ 40846 (edição de 1987))
- Gravação
- 2 de outubro de 1939, 22 de novembro de 1939, 7 de fevereiro de 1940, 7 de novembro de 1940, 15 de janeiro de 1941, 4 de março de 1941
- Estúdio
- Nova York e Chicago
- Produção
- John Hammond (gravações originais); Bob Altshuler e Michael Brooks (reedição de 1987)
- Lançamento
- 1987
Na noite de 16 de agosto de 1939, no restaurante Victor Hugo, em Beverly Hills, John Hammond e o contrabaixista Artie Bernstein entraram pela porta da cozinha carregando um guitarrista de 23 anos, seu estojo e um amplificador pesado. Montaram tudo no palco enquanto Benny Goodman jantava. Naquela tarde tinha havido uma audição no estúdio que não deu em nada, e o próprio Charlie Christian resumiria depois numa entrevista que nenhum dos dois tinha gostado do que ouviu. Hammond decidiu tentar de novo sem avisar ninguém.
Goodman voltou do jantar, viu o rapaz de terno verde e camisa roxa sentado no meio da banda com aquele instrumento que ele considerava uma novidade sem futuro, e chamou "Rose Room", um tema antigo que supôs que o garoto não conhecesse. Christian tinha crescido tocando aquilo. Entrou com cerca de vinte refrões seguidos, todos diferentes, e o número durou perto de quarenta minutos. No fim da noite ele estava contratado.
Quem tinha avisado Hammond foi a pianista Mary Lou Williams, que ouvira Christian em Oklahoma City. E quem ensinou o caminho da guitarra amplificada foi Eddie Durham, o mesmo trombonista e arranjador que assinava boa parte do repertório da orquestra de Count Basie. Não é coincidência: essa história inteira gira em torno das mesmas pessoas.
Para entender o que Christian fez, vale lembrar como a guitarra soava antes dele. Numa big band, o guitarrista tocava um acorde por tempo, sem solo, sem destaque, um elemento de textura como Freddie Green fazia com Basie. A guitarra não tinha volume para competir com um naipe de metais. Christian plugou o instrumento num amplificador e passou a tocar linhas de nota única, longas e contínuas, exatamente como um saxofonista. A referência declarada era Lester Young, e dá para ouvir: as mesmas frases compridas que atravessam a divisão do compasso como se ela não estivesse ali.
Em "Rose Room" e "Seven Come Eleven", quem está ao piano é Fletcher Henderson, o homem cujos arranjos tinham feito a fama de Goodman uma década antes, agora tocando como acompanhante no sexteto. Em oito das dezesseis faixas, o pianista é o próprio Count Basie. E em "Solo Flight", gravada em 1941, Christian aparece à frente da orquestra inteira, num arranjo escrito para destacá-lo. É a primeira vez que uma guitarra elétrica ocupa esse lugar num disco de jazz.
Nem tudo aqui o favorece. Christian nunca gravou como líder, e tudo o que existe dele saiu sob o nome de outra pessoa. Em várias faixas desta seleção ele está preso à função rítmica e mal se ouve, o que a própria AllMusic aponta como defeito desta compilação. A amplificação de 1939 também era rudimentar, e o timbre soa fino e um pouco áspero para ouvidos de hoje. A faixa mais reveladora talvez seja "Waiting for Benny", cinco minutos de banda tocando à toa no estúdio enquanto esperava o chefe chegar, registrados quase por acaso. É onde ele parece mais solto.
O outro Charlie Christian, o que mais interessou à geração seguinte, quase não está neste disco. Terminados os shows com Goodman, ele subia para o Harlem e ia tocar de madrugada no Minton's Playhouse, ao lado de Thelonious Monk e Kenny Clarke, com Dizzy Gillespie e Charlie Parker aparecendo. Um estudante chamado Jerry Newman gravou aquelas noites em equipamento portátil, em maio de 1941. Alguns dos participantes atribuem a Christian a própria palavra bebop, que ele cantarolava ao esboçar frases.
A tuberculose o alcançou no verão de 1941 e o tirou da banda. Ele morreu em 2 de março de 1942, aos 25 anos, sem ver a maior parte destas gravações chegar às lojas. Em 2024, a Biblioteca do Congresso incluiu aquela "Rose Room" de 1939 em seu registro nacional. Levou oitenta e cinco anos para o país reconhecer oficialmente a noite em que Goodman tentou humilhar um garoto e acabou contratando o músico que reinventou o instrumento.
Faixas
As 16 faixas da compilação de 1987. As doze primeiras são do sexteto de Benny Goodman; as quatro últimas, da orquestra.
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01 - Rose Room (Art Hickman e Harry Williams) - 2:45
02 - Seven Come Eleven (Benny Goodman e Charlie Christian) - 2:44
03 - Till Tom Special (Benny Goodman e Lionel Hampton) - 2:59
04 - Gone With "What" Wind (Benny Goodman e Count Basie) - 3:13
05 - Grand Slam (Benny Goodman) - 2:49
06 - Six Appeal (Benny Goodman) - 3:18
07 - Wholly Cats (Benny Goodman) - 2:59
08 - Royal Garden Blues (Clarence Williams e Spencer Williams) - 3:00
09 - As Long As I Live (Harold Arlen e Ted Koehler) - 3:21
10 - Benny's Bugle (Benny Goodman) - 3:05
11 - Breakfast Feud (Benny Goodman) - 3:04
12 - I Found a New Baby (Jack Palmer e Spencer Williams) - 2:55
13 - Solo Flight (Benny Goodman, Charlie Christian e Jimmy Mundy) - 2:45
14 - Blues in B (Benny Goodman) - 1:43
15 - Waiting for Benny (Benny Goodman) - 5:05
16 - Air Mail Special (Benny Goodman, Charlie Christian e Jimmy Mundy) - 3:20
Créditos
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Charlie Christian, guitarra elétrica
Benny Goodman, clarinete (faixas 1 a 13 e 16)
Artie Bernstein, contrabaixo
Lionel Hampton, vibrafone (faixas 1 a 6)
Fletcher Henderson, piano (faixas 1 e 2)
Count Basie, piano (faixas 3, 4 e 7 a 12)
Johnny Guarnieri, piano (faixas 5 e 13 a 15)
Dudley Brooks, piano (faixa 6)
Nick Fatool, bateria (faixas 1 a 6)
Harry Jaeger, bateria (faixas 7 a 10)
Jo Jones, bateria (faixas 11 e 12)
Dave Tough, bateria (faixas 13 a 15)
Georgie Auld, sax tenor (faixas 7 a 15)
Cootie Williams, trompete (faixas 7 a 13 e 15)
Gus Bivona, sax alto (faixa 13)
Skip Martin, sax alto (faixa 13)
Bob Snyder, sax barítono (faixa 13)
Pete Mondello, sax tenor (faixa 13)
Cutty Cutshall, trombone (faixa 13)
Lou McGarity, trombone (faixa 13)
Alec Fila, trompete (faixa 13)
Irving Goodman, trompete (faixa 13)
Jimmy Maxwell, trompete (faixa 13)
Existem duas coisas bem diferentes com este mesmo nome nos serviços de streaming. Uma é a compilação de 1987, com 16 faixas, que é a fichada aqui. A outra é uma caixa de 98 faixas que reúne praticamente tudo o que Christian gravou para a Columbia, e que vale a busca para quem quiser ir mais fundo.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase SWING, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






