- Estilo
- Free Jazz
- Gravadora
- Atlantic (1317 (mono) / SD 1317 (estéreo), LP de 12 polegadas)
- Gravação
- 22 de maio de 1959
- Estúdio
- Radio Recorders, Hollywood
- Engenheiro
- Bones Howe
- Produção
- Nesuhi Ertegun
- Lançamento
- novembro de 1959
Em 17 de novembro de 1959, poucos dias depois do lançamento deste disco, o quarteto de Ornette Coleman começou uma temporada no Five Spot Café, em Manhattan, planejada para durar duas semanas. Acabou esticando por dois meses e meio. As apresentações lotavam a casa e dividiam plateia, crítica e outros músicos como poucos eventos na história recente do jazz. O contrabaixista Charles Mingus saiu de lá impressionado, descrevendo aquilo como uma espécie de desorganização organizada, um jeito de tocar errado certo. Miles Davis, que meses antes lançara seu próprio "Kind of Blue", não escondeu o desagrado; a chegada de Coleman à cena nova-iorquina, segundo relatos da época, ajudou a ofuscar boa parte da repercussão inicial do disco de Davis, para irritação clara dele.
Coleman chegou a esse momento depois de uma década inteira indo e vindo entre Fort Worth, sua cidade natal no Texas, Nova Orleans e Los Angeles, trabalhando em bicos variados enquanto desenvolvia um jeito de tocar que a maioria recebia com hostilidade. Foi trabalhando como ascensorista em Los Angeles que ele estudou harmonia por conta própria e formou o vocabulário que aparece neste disco. A virada de sorte veio quando o contrabaixista Percy Heath e o pianista John Lewis, do Modern Jazz Quartet, ouviram Coleman e seu parceiro de cornetim, Don Cherry, e os indicaram para o programa de verão da Lenox School of Jazz, em 1959. Foi Lewis quem também intermediou o contrato com a Atlantic, que chegou a pagar a mensalidade da escola. Meses antes da gravação, em junho daquele ano, Coleman chegou a confidenciar ao produtor Nesuhi Ertegun que pensava em abandonar a música para estudar religião. Ertegun o convenceu do contrário.
O quarteto gravado em 22 de maio de 1959, no estúdio Radio Recorders de Hollywood, seguia um formato raro para a época: sem piano ou qualquer instrumento harmônico, um precedente que só o quarteto de Gerry Mulligan tinha explorado antes. Cada faixa começa com um tema curto, avança para minutos de improviso livre e volta ao tema no final, uma estrutura que lembra de longe o esquema tema-solo-tema do bebop, mas sem nenhuma sequência de acordes por baixo para guiar o solista. Coleman chamou esse conceito de "harmolódico", uma fusão de harmonia, movimento e melodia que colocava a melodia acima de tudo. O som cortante do disco também vinha de um detalhe físico: Coleman tocava um saxofone alto de plástico, da marca Grafton, cujo timbre mais áspero se tornaria parte de sua assinatura sonora.
A faixa que abre o disco, "Lonely Woman", nasceu de uma cena bem concreta. Ainda trabalhando no estoque de uma loja de departamentos em Los Angeles, no início dos anos 1950, Coleman viu numa galeria de arte a fotografia de uma mulher cercada de sinais visíveis de riqueza, mas com uma tristeza que ele reconheceu de imediato, mesmo sem nunca ter vivido aquele tipo de conforto material. A música nasceu direto dessa imagem. No arranjo final, Charlie Haden abre com um baixo lento e fúnebre, Billy Higgins entra por cima com um ritmo de bateria rápido, uma combinação incomum de andamentos, e Coleman e Cherry tocam o tema em uníssono, dobrando notas e quase chorando pelo instrumento.
Coleman queria batizar o disco de "Focus on Sanity", em referência a uma das faixas do lado B. Foi Ertegun quem sugeriu o título final, por achar que comunicava melhor ao público a singularidade do que estava prestes a ouvir. O produtor não errou o alvo: mais de sessenta anos depois, "The Shape of Jazz to Come" segue sendo o nome mais preciso possível para um disco que, ao lado de "Kind of Blue", definiu dois caminhos opostos e igualmente radicais para o jazz sair do próprio bebop.
Faixas
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01 - Lonely Woman (Ornette Coleman) - 4:59
02 - Eventually (Ornette Coleman) - 4:20
03 - Peace (Ornette Coleman) - 9:04
04 - Focus on Sanity (Ornette Coleman) - 6:50
05 - Congeniality (Ornette Coleman) - 6:41
06 - Chronology (Ornette Coleman) - 6:05
Créditos
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Ornette Coleman, sax alto
Don Cherry, cornetim
Charlie Haden, contrabaixo
Billy Higgins, bateria
As duas plataformas trazem a mesma edição de seis faixas do LP original. Duas gravações descartadas da mesma sessão, "Monk and the Nun" e "Just for You", só vieram a público em coletâneas dos anos 1970 e não constam nos links aqui indicados.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FREE JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






