- Estilo
- Cool Jazz
- Gravadora
- Columbia (CL 1397 (mono) / CS 8192 (estéreo))
- Gravação
- 25 de junho de 1959, 1 de julho de 1959, 18 de agosto de 1959
- Estúdio
- Columbia 30th Street Studio, Nova York
- Engenheiro
- Fred Plaut (com Pat Maher creditado como engenheiro adicional em reedições)
- Produção
- Teo Macero
- Lançamento
- 14 de dezembro de 1959
Em abril de 1959, antes de poder gravar qualquer coisa que lhe interessasse de verdade, o pianista Dave Brubeck precisou cumprir um acordo com a Columbia. Para tranquilizar Goddard Lieberson,o presidente do selo, o quarteto entrou no estúdio da Rua 30 e gravou "Gone with the Wind", um disco seguro de canções conhecidas do sul dos Estados Unidos. Só depois disso, em 25 de junho, Brubeck pôde voltar ao mesmo estúdio, semanas depois de Miles Davis encerrar ali as sessões de "Kind of Blue", e gravar o material que realmente queria fazer: peças escritas em compassos incomuns, trazidas de uma viagem que o quarteto fizera pela Europa e pela Ásia a convite do Departamento de Estado americano.
A viagem tinha acontecido no fim de 1958. Numa parada na Turquia, o grupo ouviu músicos de rua tocando um tema folclórico em nove tempos, divididos num padrão irregular de dois, dois, dois e três, bem diferente da forma como o Ocidente costuma organizar um compasso de nove. Brubeck saiu de lá decidido a incorporar aquela cadência ao próprio vocabulário do jazz, ao lado de outros metros pouco usuais que o grupo tinha coletado pelo caminho. O título do disco já anunciava a proposta: sair fora do tempo comum. Mas a Columbia não confiava no potencial comercial de um disco dominado por assinaturas de compasso que a maioria dos ouvintes de jazz nunca tinha escutado. Só a insistência pessoal de Brubeck, somada ao gesto de boa-fé de "Gone with the Wind", abriu a porta para as sessões de junho e agosto daquele ano.
"Blue Rondo à la Turk" abre o disco cumprindo a promessa do título duas vezes: rondó é forma clássica europeia, e a peça usa esse esquema de repetição de tema, enquanto o "à la Turk" remete direto ao que o quarteto ouviu na Turquia. O tema principal caminha em nove tempos, com aquela subdivisão desigual de dois, dois, dois e três que faz a melodia tropeçar de leve antes de se firmar de novo, um efeito de claudicação calculada. Assim que chega a hora dos solos, porém, a banda troca esse compasso torto por um blues direto em quatro tempos, prova de que o experimento nunca era um fim em si mesmo, só um ponto de partida.
"Take Five" nasceu como ideia secundária. Paul Desmond escreveu o tema pensando em dar um pretexto elegante para um solo de bateria de Joe Morello, não em criar um sucesso. A melodia se movimenta em cinco tempos, um compasso raro o bastante para que o próprio ouvido sinta o desequilíbrio: cada frase parece terminar um instante antes ou depois do esperado, como se faltasse ou sobrasse um passo numa dança bem ensaiada. O contrabaixo de Eugene Wright segura esse chão instável com uma figura curta e repetida, dando à faixa inteira um balanço hipnótico que segue popular décadas depois de ter virado, contra qualquer previsão do próprio grupo, o primeiro single de jazz a vender um milhão de cópias.
Nem tudo em "Time Out" é experimento de métrica. "Strange Meadow Lark" é a única faixa do disco em compasso comum, e por isso mesmo funciona como respiro: começa com um piano solo sem pulso fixo definido, quase falado, antes de se acomodar num 4/4 tranquilo quando o resto do quarteto entra. É também a faixa que expõe com mais clareza a limitação central de Brubeck como pianista, uma mão pesada, quase percussiva, que nunca teve a fluência melódica do sax alto claro e cantante de Desmond ao seu lado. Essa desigualdade de temperamento, longe de atrapalhar, é boa parte do que torna o diálogo dos dois interessante de ouvir disco após disco.
A crítica especializada recebeu "Time Out" com desconfiança quando saiu, tratando aqueles compassos ímpares como truque de salão mais do que como descoberta real. O público discordou, provando em números que nenhum outro disco de jazz até então tinha alcançado. A ironia é que, no mesmo estúdio, nas mesmas semanas de 1959, Miles Davis e Charles Mingus gravavam discos igualmente decisivos para o jazz por caminhos opostos ao de Brubeck, prova de que aquele ano não tinha um único jeito certo de reinventar o gênero.
Faixas
O disco reúne três sessões distintas no mesmo estúdio: as faixas 4 a 6 vêm da sessão de 25 de junho de 1959, as faixas 2 e 3 da sessão de 1º de julho, e as faixas 1 e 7 da sessão de 18 de agosto.
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01 - Blue Rondo à la Turk (Dave Brubeck) - 6:44
02 - Strange Meadow Lark (Dave Brubeck) - 7:22
03 - Take Five (Paul Desmond) - 5:24
04 - Three to Get Ready (Dave Brubeck) - 5:24
05 - Kathy's Waltz (Dave Brubeck) - 4:48
06 - Everybody's Jumpin' (Dave Brubeck) - 4:23
07 - Pick Up Sticks (Dave Brubeck) - 4:16
Créditos
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Dave Brubeck, piano
Paul Desmond, sax alto
Eugene Wright, contrabaixo
Joe Morello, bateria
Este disco pertence à fase COOL JAZZ, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






