- Estilo
- Bossa Nova
- Gravadora
- Verve (V-8545 (mono) / V6-8545 (estéreo))
- Gravação
- 18 de março de 1963, 19 de março de 1963
- Estúdio
- A & R Recording Studios, Nova York
- Engenheiro
- Phil Ramone
- Produção
- Creed Taylor
- Lançamento
- março de 1964
Numa das sessões de gravação, João Gilberto, que não falava inglês e perdia a paciência com o jeito mais duro de Stan Getz tocar, virou-se para Antônio Carlos Jobim e disse: "Diz pra esse gringo que ele é um idiota". Jobim, sem hesitar, traduziu para Getz: "Stan, o João está dizendo que o sonho dele sempre foi gravar com você". O episódio, contado por Ruy Castro em "Chega de Saudade", resume bem a tensão escondida sob a superfície serena de um dos discos mais suaves da história do jazz: Getz e Gilberto discordavam constantemente sobre qual take era o melhor, e cabia ao produtor Creed Taylor decidir sozinho o que ia para o disco final.
A bossa nova já tinha cinco anos de existência no Brasil quando esse encontro aconteceu, mas fora do país ainda era pouco mais que uma curiosidade. Getz vinha de dois discos de sucesso comercial com o gênero, "Jazz Samba" e "Big Band Bossa Nova", ambos de 1962, e Taylor queria algo mais ambicioso: reunir Getz diretamente com os próprios criadores do estilo para o que ele chamou de "documentação histórica" do gênero. As sessões aconteceram em 18 e 19 de março de 1963, no estúdio de Phil Ramone em Nova York, o mesmo Ramone que também assinou a engenharia de som do disco. Taylor, inseguro sobre o potencial comercial daquele material tão contido, engavetou o resultado por quase um ano antes de finalmente lançá-lo.
O que sustenta "Getz/Gilberto" é justamente essa contenção. O piano de Jobim toca só o necessário, quase nunca preenchendo o silêncio à toa. O violão de Gilberto mantém a levada sincopada que ele vinha aperfeiçoando havia anos no Rio, o polegar marcando o baixo enquanto os outros dedos tocam o acorde um instante fora do tempo esperado. Getz, por cima disso tudo, soa mais respirado e lírico do que em qualquer disco anterior de sua carreira, uma escolha deliberada para não atropelar a delicadeza do resto da banda. Em "Desafinado", o próprio título vira piada e desafio ao mesmo tempo: a melodia de Jobim flerta de propósito com notas que soam erradas ao ouvido acostumado à harmonia convencional, um comentário irônico sobre as críticas que a bossa nova recebia de puristas do samba tradicional.
Astrud Gilberto, mulher de João, nunca tinha cantado profissionalmente antes daquela sessão. Foi chamada, só porque falava inglês melhor que o marido, para gravar a versão americana de "Corcovado" e da faixa que se tornaria "The Girl from Ipanema". Sua voz baixa e quase sussurrada, gravada com um cachê de sessão comum, acabaria roubando a cena dos três músicos mais experientes ao seu redor e lançando uma carreira internacional que ninguém no estúdio previu naquele dia.
Vale registrar uma correção que poucas reedições fazem: o contrabaixista que realmente tocou nas sessões foi Sebastião Neto, não Tommy Williams, o nome que aparece impresso na capa. Neto estava sob contrato com outra gravadora na época do lançamento e não pôde ser creditado, então o selo usou o nome do baixista habitual de Getz para evitar problemas contratuais, um pequeno apagamento que a maioria das reedições comerciais ainda repete até hoje.
"Getz/Gilberto" se tornaria o disco de jazz mais vendido de sua época e o primeiro disco de jazz a vencer o Grammy de Álbum do Ano. Mas o sucesso também expôs rachaduras: as diferenças de temperamento entre Getz e Gilberto nunca se resolveram de verdade, e a continuação, "Getz/Gilberto #2", sairia dividida ao meio, um lado para cada um, como se os dois já não conseguissem mais dividir a mesma faixa.
Faixas
O contrabaixista real das sessões foi Sebastião Neto, mas por estar sob contrato com outra gravadora na época do lançamento, o crédito na capa e em reedições posteriores foi dado a Tommy Williams, baixista habitual de Getz que não chegou a participar da gravação. Fotos da sessão, usadas por Ruy Castro em "Chega de Saudade", confirmam a presença de Neto no estúdio.
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01 - The Girl from Ipanema (Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes e Norman Gimbel) - 5:21
02 - Doralice (Antônio Almeida e Dorival Caymmi) - 2:47
03 - Para Machucar Meu Coração (Ary Barroso) - 5:07
04 - Desafinado (Antônio Carlos Jobim e Newton Mendonça) - 4:09
05 - Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars) (Antônio Carlos Jobim e Gene Lees) - 4:17
06 - Só Danço Samba (Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes) - 3:42
07 - O Grande Amor (Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes) - 5:27
08 - Vivo Sonhando (Antônio Carlos Jobim) - 2:56
Créditos
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Stan Getz, sax tenor
João Gilberto, violão e voz
Antônio Carlos Jobim, piano
Sebastião Neto, contrabaixo
Milton Banana, bateria e pandeiro
Astrud Gilberto, voz (1, 5)
Este disco pertence à fase BOSSA NOVA, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






