- Estilo
- Fusion
- Gravadora
- Columbia (GP 26)
- Gravação
- 19 de agosto de 1969, 20 de agosto de 1969, 21 de agosto de 1969
- Estúdio
- Columbia Studio B, Nova York
- Engenheiro
- Frank Laico (19 de agosto); Stan Tonkel (demais sessões)
- Produção
- Teo Macero
- Lançamento
- 30 de março de 1970
Às dez da manhã de 19 de agosto de 1969, treze músicos se organizaram em semicírculo dentro do Estúdio B da Columbia, em Nova York, com Miles Davis e Wayne Shorter no centro. Todos usavam fones de ouvido para se escutar por cima do volume elétrico. Nenhum convidado foi admitido, nenhuma foto foi tirada, e a gravação seguiu ao vivo, sem overdubs, das dez da manhã à uma da tarde, durante três dias seguidos. O baterista Lenny White descreveria décadas depois aquela sessão como uma orquestra com Davis no posto de regente, dando apenas uma contagem de tempo, alguns acordes soltos e uma sugestão de clima antes de deixar a banda inteira decidir para onde a música ia.
Davis vinha de meses de turnê com seu quinteto, testando ao vivo esboços do que se tornaria "Miles Runs the Voodoo Down", "Sanctuary" e "Spanish Key", enquanto absorvia influências do rock e do funk que tocavam no rádio e do trabalho do próprio Joe Zawinul ao lado de Cannonball Adderley. Uma semana antes das sessões oficiais, reuniu o grupo para um ensaio e ampliou a formação de cinco músicos para treze. Eram dois baixos (um acústico, outro elétrico), até três baterias e percussionistas tocando ao mesmo tempo, até três pianos elétricos simultâneos e a guitarra de John McLaughlin, contratado depois de Davis ouvi-lo tocar em Londres. Davis chegou ao estúdio com linhas de acorde simples, escritas a princípio para três pianos, e disse à banda que podia tocar o que viesse à cabeça, desde que usasse aqueles acordes como referência. Ele não queria nada pré-arranjado.
O produtor Teo Macero, formado em composição na Juilliard e familiarizado com a música concreta francesa, recortou e colou fitas depois das gravações como se fossem material bruto de composição, não apenas registro de uma sessão. A abertura de "Pharaoh's Dance", com seus cortes abruptos e loops repetidos, reúne dezenove edições distintas e a faixa-título soma outras quinze, incluindo um fragmento de cinco segundos repetido várias vezes. "Miles Runs the Voodoo Down" é a única faixa do disco sem nenhuma edição, apresentada exatamente como saiu da sala naquele dia. A base rítmica gigantesca, com vários instrumentos harmônicos e percussivos tocando ao mesmo tempo, cria um chão sonoro quase estático, mais parecido com uma raga indiana em crescendo lento do que com qualquer forma de canção de três minutos, e é sobre esse chão que o trompete de Davis, mais agressivo e mais agudo do que em qualquer disco anterior, e o sax soprano de Shorter constroem seus solos.
Vale lembrar que nem tudo foi elogio. A reação inicial foi dividida quase ao meio. Parte da crítica de jazz mais tradicional viu o disco como traição comercial, uma tentativa de vender rock disfarçado de jazz para um público mais jovem. O Penguin Guide to Jazz, décadas depois, chamaria o disco de "profundamente falho", uma "massa gigantesca de ruído que se recusa a se resolver sob qualquer forma reconhecida", ao mesmo tempo em que o elogiava como uma das afirmações criativas mais notáveis do século. As duas coisas são verdadeiras: é um disco que resiste a fechamento fácil, e é exatamente por isso que continua provocando reação forte, positiva ou negativa, mais de cinquenta anos depois.
Quase todos os músicos presentes naquele estúdio sairiam da sessão rumo a carreiras próprias que redesenhariam o jazz da década seguinte: Zawinul e Shorter fundariam o Weather Report, McLaughlin formaria a Mahavishnu Orchestra, Corea criaria o Return to Forever. Bitches Brew não foi só um disco de Miles Davis, foi o ponto de partida de todo um capítulo do jazz que os próprios músicos presentes na sala escreveriam nos anos seguintes.
Faixas
A sétima faixa, "Feio", foi gravada em 28 de janeiro de 1970, meses depois das sessões principais, e só apareceu numa reedição em CD de 1999; não fazia parte do LP duplo original.
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01 - Pharaoh's Dance (Joe Zawinul) - 20:07
02 - Bitches Brew (Miles Davis) - 27:00
03 - Spanish Key (Miles Davis) - 17:30
04 - John McLaughlin (Miles Davis) - 4:23
05 - Miles Runs the Voodoo Down (Miles Davis) - 14:03
06 - Sanctuary (Wayne Shorter) - 10:54
07 - Feio (Wayne Shorter) - 11:51
Créditos
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Miles Davis, trompete
Wayne Shorter, sax soprano
Bennie Maupin, clarinete baixo
Chick Corea, piano elétrico
Joe Zawinul, piano elétrico
Larry Young, piano elétrico (Pharaoh's Dance, Spanish Key)
John McLaughlin, guitarra
Dave Holland, contrabaixo
Harvey Brooks, baixo elétrico
Jack DeJohnette, bateria
Lenny White, bateria
Don Alias, percussão
Juma Santos, percussão
As duas plataformas servem as seis faixas do LP duplo original de 1970 mais "Feio", faixa bônus de Wayne Shorter gravada em janeiro de 1970 e acrescentada à reedição em CD de 1999.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FUSION, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

