- Estilo
- Swing
- Gravadora
- Bluebird (B-10523 (78 rpm original de 1939))
- Gravação
- 11 de outubro de 1939, 3 de janeiro de 1940, 11 de dezembro de 1947, 17 de janeiro de 1956, 18 de janeiro de 1956, 20 de janeiro de 1956
- Estúdio
- Estúdios da RCA, Nova York
- Produção
- Leonard Joy (supervisão da sessão de 1939)
- Lançamento
- 1939
Em 11 de outubro de 1939, Coleman Hawkins entrou com seus músicos no estúdio da RCA na Rua 24 Leste, em Manhattan, para gravar três lados sem maior ambição: um tema pop esquecível, um riff leve e uma canção com vocal de Thelma Carpenter. Terminado o trabalho, o supervisor da sessão Leonard Joy o chamou de lado e pediu um favor. Um ouvinte tinha telefonado de Trenton dizendo que o ouvira tocar "Body and Soul" no Kelly's Stable, na Rua 52, e queria aquilo em disco. Hawkins respondeu que preferia gravar outra coisa. Joy insistiu por uma tomada só. Foi a única que existiu.
A história é boa demais para ser tratada com inocência, e o crítico Dan Morgenstern já fez a correção necessária: por mais casual que Hawkins tentasse fazer aquilo parecer, "Body and Soul" era, havia anos, seu número de bis na Europa e ele tinha muita coisa em jogo naquela sessão. Tinha 35 anos, acabara de voltar de meia década morando fora, e, nesse meio tempo, Lester Young chegara ao auge com a orquestra de Basie enquanto praticamente toda banda importante do país exibia algum tenorista tocando no estilo que ele próprio inventara. Não era um favor improvisado. Era uma reivindicação de território.
Hawkins tinha ido para a Europa em 1934 e voltou em 1939, com a guerra se aproximando. Abriu com banda própria no Kelly's Stable e, poucos meses depois, gravou os três minutos que mudariam o que se esperava de um solo de jazz.
O que ele faz em "Body and Soul" ainda hoje parece ousado. São dois refrões e a melodia da canção praticamente não aparece. Depois de esboçá-la nos primeiros compassos, Hawkins a abandona e passa a improvisar sobre a harmonia, usando as notas mais altas de cada acorde, aquelas que o ouvido reconhece como pertencendo a um acorde maior e mais denso do que o que está sendo tocado por baixo. Nenhum trecho se repete, e o solo cresce em intensidade do começo ao fim, sem que a banda faça mais do que sustentar a base. Que uma gravação assim, instrumental e quase sem tema reconhecível, tenha virado sucesso de jukebox é o dado mais improvável da história toda.
Esta compilação não é um álbum: reúne gravações feitas para a RCA entre 1939 e 1956, com formações completamente diferentes. As oito primeiras faixas, das sessões de outubro de 1939 e janeiro de 1940, são o coração do disco, e trazem Benny Carter ao trompete e J. C. Higginbotham ao trombone na segunda delas. O material de 1947 mostra Hawkins cercado de músicos do bebop, com Fats Navarro, J. J. Johnson e Max Roach. Já as sessões de 1956, com a orquestra de Billy Byers e naipe de cordas, são agradáveis e datadas, e ninguém as coloca perto do que veio antes. Inclusive há ali uma segunda versão de "Body and Soul", de 1956, mais longa e bem menos urgente que a original.
Vale registrar também que Hawkins nunca teve o mito romântico que a história do jazz costuma reservar a quem morre cedo. Ele viveu, trabalhou sem parar e envelheceu à vista de todos, com a bebida cobrando seu preço nos últimos anos. Aos 59, ainda gravava de igual para igual com John Coltrane e Sonny Rollins, dois músicos cujas carreiras seriam impensáveis sem o precedente que ele abriu.
Antes de Hawkins, o saxofone tenor era um instrumento de banda de dança, sem tradição solista, e o próprio Lester Young construiu sua identidade fazendo o contrário exato do que Hawkins fazia. Depois de "Body and Soul", improvisar deixou de significar ornamentar uma melodia conhecida e passou a significar construir uma peça nova sobre a harmonia dela. A geração que se reunia de madrugada nos porões do Harlem poucos anos depois partiria exatamente daí.
Faixas essenciais
A compilação reúne gravações feitas para a RCA entre 1939 e 1956, e sai em edições com contagens diferentes conforme o serviço e o ano. As oito abaixo são as das sessões de outubro de 1939 e janeiro de 1940, que formam o núcleo histórico do disco e estão em todas as edições.
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01 - Meet Doctor Foo (Coleman Hawkins) - 2:31
02 - Fine Dinner (Gene Rodgers) - 2:31
03 - She's Funny That Way - 3:12
04 - Body and Soul (Johnny Green, Edward Heyman, Robert Sour e Frank Eyton) - 3:00
05 - When Day Is Done (B. G. DeSylva e Robert Katscher) - 3:13
06 - The Sheik of Araby (Harry B. Smith, Francis Wheeler e Ted Snyder) - 2:55
07 - My Blue Heaven (George Whiting e Walter Donaldson) - 2:45
08 - Bouncing with Bean - 3:02
Créditos
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Coleman Hawkins, sax tenor e arranjos
Tommy Lindsay, trompete (sessão de 11 de outubro de 1939)
Joe Guy, trompete (sessão de 11 de outubro de 1939)
Earl Hardy, trombone (sessão de 11 de outubro de 1939)
Jackie Fields, sax alto (sessão de 11 de outubro de 1939)
Eustis Moore, sax alto (sessão de 11 de outubro de 1939)
Gene Rodgers, piano e arranjos (sessões de 1939 e 1940)
William Oscar Smith, contrabaixo (sessão de 11 de outubro de 1939)
Arthur Herbert, bateria (sessão de 11 de outubro de 1939)
Thelma Carpenter, voz ("She's Funny That Way")
Benny Carter, trompete (sessão de 3 de janeiro de 1940)
J. C. Higginbotham, trombone (sessão de 3 de janeiro de 1940)
Danny Polo, clarinete (sessão de 3 de janeiro de 1940)
Lawrence Lucie, guitarra (sessão de 3 de janeiro de 1940)
Johnny Williams, contrabaixo (sessão de 3 de janeiro de 1940)
Walter Johnson, bateria (sessão de 3 de janeiro de 1940)
Fats Navarro, trompete (sessão de 11 de dezembro de 1947)
J. J. Johnson, trombone (sessão de 11 de dezembro de 1947)
Hank Jones, piano (a partir de 1947)
Max Roach, bateria (sessão de 11 de dezembro de 1947)
As duas plataformas trazem a edição de 1996, com 19 faixas. Circulam outras compilações com o mesmo título e conteúdos diferentes, algumas com 23 faixas, então vale conferir a contagem antes de assumir que é a mesma coisa.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase SWING, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






