- Estilo
- Swing
- Gravadora
- Columbia (CL 934 (LP de 12 polegadas, mono))
- Gravação
- 7 de julho de 1956, 8 de julho de 1956
- Estúdio
- Newport Jazz Festival, Freebody Park, Newport, Rhode Island (apresentação ao vivo); estúdio da Columbia em Nova York (regravações feitas dois dias depois)
- Produção
- George Avakian
- Lançamento
- novembro de 1956
Passava da uma da manhã de 8 de julho de 1956 quando o saxofonista Paul Gonsalves, sozinho contra o contrabaixo, a bateria e os acordes pontuados de Duke Ellington ao piano, começou o que se tornaria o solo mais famoso da história do jazz ao vivo. Vinte e sete coros seguidos de blues, cada vez mais urgentes, enquanto Ellington gritava incentivos do piano ("Vai, Paul, mete a cara!") e uma plateia que até ali se comportava com a educação de um festival de jazz se levantou para dançar nos corredores, puxada, segundo relatos da noite, por uma mulher loira de vestido preto que ninguém conseguiu identificar depois. A polícia tentou encerrar o show duas vezes. Ellington resistiu as duas.
Naquele julho de 1956, a orquestra de Ellington vinha de anos difíceis. Muitas big bands tinham fechado as portas com a decadência comercial do formato, e a banda de Ellington sobrevivia tocando até em rinques de patinação, sustentada mais pelos direitos autorais dos sucessos que Ellington escrevera décadas antes do que por contratos novos. No dia do festival, a orquestra nem tinha gravadora. Bastou aquela noite para mudar isso. Semanas depois, Ellington estampava a capa da revista Time, e o contrato com a Columbia que nasceu dali sustentaria o resto de sua carreira.
A lógica do show era clara: Ellington abriu com uma suite nova, escrita ao lado de Billy Strayhorn especialmente para a ocasião ("Festival Junction", "Blues to Be There" e "Newport Up"), esperando que fosse o grande momento da noite. A recepção foi morna. Só depois, quando anunciou que ia tirar "uma relíquia de 1938" da gaveta, uniu duas partes antigas de "Diminuendo and Crescendo in Blue" por um interlúdio de saxofone tenor e entregou o microfone a Gonsalves, e que a noite realmente começou a acontecer.
O LP que a Columbia lançou em novembro de 1956 não é, como sugeria a capa, um simples registro daquela noite. O produtor George Avakian achou que a suite nova soara aquem do que Ellington merecia, e levou a orquestra de volta ao estúdio dois dias depois para regravar boa parte do material, incluindo, ao que tudo indica, a própria "Diminuendo and Crescendo in Blue" inteira, porque o microfone de Gonsalves ao vivo tinha falhado e sua tomada real ficou quase inaudível nas fitas oficiais da Columbia. Aplausos foram sobrepostos por cima das regravações de estúdio para disfarcar a costura. Só em 1996, quando uma fita do arquivo da Voice of América revelou o que realmente tinha acontecido no palco, ficou provado que apenas cerca de quarenta por cento do disco original era, de fato, ao vivo. A reedição completa de 1999, batizada "Ellington at Newport (Complete)", finalmente juntou a fita real da Voice of América com as fitas da Columbia para reconstituir o show inteiro, solo de Gonsalves incluído.
Gonsalves morreria dez dias antes do próprio Ellington, em 1974. Ninguém teve coragem de contar a Ellington que o parceiro de tantas noites tinha partido primeiro.
Faixas
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01 - Festival Junction (Duke Ellington, Billy Strayhorn) - 10:08
02 - Blues to Be There (Duke Ellington, Billy Strayhorn) - 8:04
03 - Newport Up (Duke Ellington, Billy Strayhorn) - 5:33
04 - Jeep's Blues (Duke Ellington, Johnny Hodges) - 5:12
05 - Diminuendo and Crescendo in Blue (Duke Ellington) - 14:56
Créditos
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Duke Ellington, piano, regência
Cat Anderson, trompete
Willie Cook, trompete
Ray Nance, trompete
Clark Terry, trompete
Herbie Jones, trompete
Quentin Jackson, trombone
John Sanders, trombone
Britt Woodman, trombone
Johnny Hodges, sax alto
Russell Procope, sax alto, clarinete
Paul Gonsalves, sax tenor
Jimmy Hamilton, clarinete
Harry Carney, sax barítono
Jimmy Woode, contrabaixo
Sam Woodyard, bateria
O Spotify traz uma compilação de cinco faixas que reproduz exatamente o programa do LP original de 1956. O Apple Music traz uma edição chamada "The Original Album" com dez faixas, que soma ao mesmo programa faixas bonus de gravações relacionadas da mesma época. Vale registrar que nenhuma das duas edições citadas é a apresentação completa da noite: para isso, é preciso buscar a reedição "Ellington at Newport 1956 (Complete)", de 1999, que restaura o show inteiro tal como tocado, incluindo o solo de Paul Gonsalves na íntegra.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase SWING, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






