- Estilo
- Bebop
- Gravadora
- Blue Note (BLP 1510 (LP de 1956))
- Gravação
- 15 de outubro de 1947, 24 de outubro de 1947, 21 de novembro de 1947, 2 de julho de 1948
- Estúdio
- WOR Studios, Nova York, e Apex Studios para a sessão de 1948
- Engenheiro
- Doug Hawkins
- Produção
- Alfred Lion
- Lançamento
- 1951
Em algum momento do fim de setembro de 1947, Alfred Lion, dono da Blue Note, e sua mulher Lorraine subiram até um quarto apertado numa casa da Rua 63 Oeste, em Nova York, para ouvir um pianista que quase ninguém conhecia. Thelonious Monk sentou ao piano e tocou sozinho por um bom tempo, entre outras coisas "'Round Midnight" e "Ruby, My Dear". Lion saiu de lá convencido, e não quis esperar. Menos de duas semanas depois Monk estava em estúdio, gravando pela primeira vez como líder, aos 30 anos.
A corrente que levou Lion até aquele quarto vale ser revelada. A pianista Mary Lou Williams deu a dica ao jornalista e fotógrafo Bill Gottlieb, que foi atrás de Monk e publicou uma reportagem de capa na revista DownBeat de 24 de setembro de 1947, com o título "Thelonious Monk, gênio do bop". Foi essa matéria que fez o saxofonista Ike Quebec, que trabalhava para a Blue Note, arranjar a visita. É a segunda vez que Mary Lou Williams aparece nesta lista mudando a carreira de alguém: foi ela também quem avisou John Hammond sobre um guitarrista desconhecido em Oklahoma City chamado Charlie Christian.
Lion apostou o próprio dinheiro nas sessões, contra a opinião geral de que aquilo não venderia. A opinião geral estava certa quanto às vendas. Os discos encalharam, a crítica da época tratou Monk como excêntrico e houve quem escrevesse que ele mal sabia tocar. O reconhecimento levaria quase uma década.
O que incomodava é exatamente o que hoje se ouve como assinatura. Monk toca menos notas que qualquer pianista de bebop de sua geração. Onde Bud Powell despejava avalanches de colcheias, Monk coloca um acorde, deixa o silêncio agir e responde com outro. Usa intervalos de segunda, duas teclas vizinhas soando juntas, que produzem aquele atrito áspero que o ouvido registra como erro antes de aceitar como intenção. E a mão esquerda dele vem de outro lugar: do stride dos anos 1920, de James P. Johnson e Fats Waller, com aquele salto entre o baixo grave e o acorde no meio do teclado. Monk é, nesse sentido, um pianista moderno com a mão esquerda de trinta anos antes.
As composições são o que sustentam tudo. "'Round Midnight" se tornaria a peça de autoria de um jazzista mais regravada da história. "Epistrophy", escrita com o baterista Kenny Clarke, e "Well, You Needn't" viraram repertório obrigatório. "Misterioso", das sessões de julho de 1948 com o vibrafonista Milt Jackson, é construída sobre um passeio de sextas que sobe e desce como quem anda numa escada torta de propósito.
É preciso dizer que nem todo mundo em volta parece ter entendido o que estava acontecendo. Em algumas faixas de 1947 os sopros tocam os temas de Monk com competência e nenhuma cumplicidade, como quem lê um arranjo de bebop comum e não percebe que a peça pede outra coisa. A gravação também é seca e direta, sem nenhum tratamento. Quem só conhece Monk pelos discos dos anos 1950 e 1960, mais soltos e mais bem acompanhados, vai achar este material mais duro.
O preço que ele pagou não foi só comercial. Em 1951, depois de assumir a culpa por drogas encontradas num carro em que estava com Bud Powell, Monk perdeu a licença que permitia trabalhar em clubes noturnos de Nova York e ficou seis anos sem poder tocar na própria cidade. Quando a recuperou, em 1957, montou temporada no Five Spot com John Coltrane no saxofone, e, aí sim, a cidade inteira foi ver. Estas doze faixas são o que ele já era dez anos antes disso, quando quase ninguém queria ouvir.
Faixas
As doze faixas da configuração de 1956, gravadas em quatro sessões entre outubro de 1947 e julho de 1948, em formações que vão do trio ao sexteto. Salvo indicação em contrário, as composições são de Thelonious Monk.
-
01 - 'Round Midnight (Thelonious Monk) - 3:09
02 - Off Minor (Thelonious Monk) - 2:59
03 - Ruby, My Dear (Thelonious Monk) - 3:06
04 - I Mean You (Thelonious Monk e Coleman Hawkins) - 2:45
05 - April in Paris (Vernon Duke e E. Y. Harburg) - 3:20
06 - In Walked Bud (Thelonious Monk) - 2:54
07 - Thelonious (Thelonious Monk) - 2:58
08 - Epistrophy (Thelonious Monk e Kenny Clarke) - 3:07
09 - Misterioso (Thelonious Monk) - 3:20
10 - Well, You Needn't (Thelonious Monk) - 2:57
11 - Introspection (Thelonious Monk) - 3:10
12 - Humph (Thelonious Monk) - 2:50
Créditos
-
Thelonious Monk, piano e composição
Idrees Sulieman, trompete (sessão de 15 de outubro de 1947)
Danny Quebec West, sax alto (sessão de 15 de outubro de 1947)
Billy Smith, sax tenor (sessão de 15 de outubro de 1947)
Gene Ramey, contrabaixo (sessões de outubro de 1947)
Art Blakey, bateria (sessões de 1947)
George Taitt, trompete (sessão de 21 de novembro de 1947)
Sahib Shihab, sax alto (sessão de 21 de novembro de 1947)
Bob Paige, contrabaixo (sessão de 21 de novembro de 1947)
Milt Jackson, vibrafone (sessão de 2 de julho de 1948)
John Simmons, contrabaixo (sessão de 2 de julho de 1948)
Shadow Wilson, bateria (sessão de 2 de julho de 1948)
As duas plataformas trazem a versão de 12 faixas, que é a do LP de 1956. Circula também uma edição ampliada com 21 faixas, que acrescenta tomadas alternativas das mesmas sessões de 1947 e 1948.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase BEBOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






