- Estilo
- Bebop
- Gravadora
- EmArcy (MG-36004 (LP de 12 polegadas, 1955). Lançado originalmente só como "Sarah Vaughan"; o subtítulo "with Clifford Brown" só foi adotado numa reedição de 1991, para destacar o nome do trompetista.)
- Gravação
- 16 de dezembro de 1954, 18 de dezembro de 1954
- Estúdio
- Fine Sound Studios, 711 Fifth Avenue, Nova York
- Produção
- Bob Shad
- Lançamento
- abril de 1955
No fim de 1951, Sarah Vaughan encabeçava a programação do Cafe Society, em Nova York, quando o grupo que abria a noite chamou sua atenção. Era o Chris Powell and His Blue Flames, uma banda de rhythm and blues da Filadélfia, e o trompetista de vinte e dois anos que tocava ali, ainda sem nenhum disco gravado, chamava-se Clifford Brown. Vaughan gostou tanto do que ouviu que os dois combinaram, ainda nos bastidores, gravar juntos algum dia. Levaria quase tres anos para essa promessa virar disco. Vaughan seguia presa a um contrato com a Columbia, gravando material pop até 1953, e só quando assinou com a Mercury, em 1954, com um acordo que lhe permitia dividir seu trabalho entre o selo principal (para o pop) e a EmArcy (para o jazz), o encontro finalmente pode acontecer.
As sessões saíram nos dias 16 e 18 de dezembro de 1954, no estúdio Fine Sound, na Quinta Avenida de Nova York, com Ernie Wilkins escrevendo e regendo os arranjos. Vaughan trouxe o trio que a acompanhava havia anos, o pianista Jimmy Jones, o contrabaixista Joe Benjamin e o baterista Roy Haynes, e a EmArcy somou tres solistas de peso: Brown no trompete, Paul Quinichette no sax tenor e Herbie Mann na flauta. O disco chegou as lojas em abril de 1955, batizado apenas de "Sarah Vaughan", sem nenhuma menção a Brown na capa. Só numa reedição de 1991 o título passou a incluir seu nome, decisao comercial de gravadora, não escolha dos músicos envolvidos.
O que salta aos ouvidos é o quanto Brown escolheu recuar. Em "Lullaby of Birdland", homenagem de George Shearing ao clube de jazz do Harlem que também dá nome à faixa que abre este disco, Vaughan brinca com a melodia quase como se cantasse scat, e o trompete entra depois, comentando por baixo da voz em vez de disputar espaço com ela. E justamente por isso que a faixa seguinte funciona como contraste perfeito. Em "Embraceable You", dos irmãos Gershwin, Wilkins tira de cena os tres solistas (Brown, Quinichette e Mann) e deixa Vaughan sozinha com o trio de acompanhamento. O resultado, apontado por críticos como o ponto alto do disco, é uma ironia que vale registrar: a faixa mais lembrada do encontro entre Vaughan e Brown é justamente aquela em que o trompetista não aparece. Nada nisso diminui o disco. Prova, ao contrario, que Wilkins sabia exatamente quando um solista de peso atrapalha mais do que ajuda.
Havia, é verdade, um risco real nesse tipo de sessão. Um trompetista do calibre de Brown, acostumado a solos longos e virtuosísticos ao lado de Max Roach, podia facilmente atropelar a cantora com quem gravava. Não foi o caso aqui. O crítico do Jazz Journal notou que Vaughan ainda não tinha, em 1954, todos os recursos vocais que desenvolveria na década seguinte, e é verdade que o disco soa mais contido do que gravações posteriores da cantora. Mas essa mesma contenção, tanto da voz quanto do trompete, é o que dá ao disco sua coerência rara: ninguém ali estava tentando roubar a cena de ninguém.
Essa sessão de dezembro de 1954 foi a única vez em que Vaughan e Brown gravaram juntos em estúdio. Menos de um ano e meio depois, Brown morreria no mesmo acidente de carro que tirou a vida do pianista Richie Powell, do quinteto que ele liderava com Max Roach. O disco que quase levou tres anos para acontecer virou, décadas depois, um dos poucos registros de dois gigantes do jazz vocal e instrumental dividindo a mesma sessão, e a própria Vaughan chegou a chama-lo, anos mais tarde, de seu favorito entre tudo que tinha gravado até 1980.
Faixas
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01 - Lullaby of Birdland (George Shearing, B.Y. Forster (pseudônimo de George David Weiss)) - 4:02
02 - April in Paris (Vernon Duke, E.Y. Harburg) - 6:22
03 - He's My Guy (Don Raye, Gene de Paul) - 4:14
04 - Jim (Caesar Petrillo, Edward Ross, Nelson Shawn) - 5:52
05 - You're Not the Kind (Will Hudson, Irving Mills) - 4:45
06 - Embraceable You (George Gershwin, Ira Gershwin) - 4:50
07 - I'm Glad There Is You (Paul Madeira, Jimmy Dorsey) - 5:11
08 - September Song (Kurt Weill, Maxwell Anderson) - 5:46
09 - It's Crazy (Al Fields, Timmie Rogers) - 4:58
Créditos
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Sarah Vaughan, voz
Clifford Brown, trompete (todas exceto Embraceable You)
Herbie Mann, flauta (todas exceto Embraceable You)
Paul Quinichette, sax tenor (todas exceto Embraceable You)
Jimmy Jones, piano
Joe Benjamin, contrabaixo
Roy Haynes, bateria
O Spotify traz uma remasterização digital de 2019 com exatamente as nove faixas documentadas aqui. O Apple Music traz uma edição de dez faixas, que soma uma tomada alternativa de "Lullaby of Birdland" lançada só em CD a partir de 1990. Nenhuma das duas plataformas altera a gravação original, só a quantidade de bonus.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase BEBOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






