- Estilo
- Bebop
- Gravadora
- Savoy e Dial
- Gravação
- 15 de setembro de 1944, 26 de novembro de 1945, 28 de março de 1946, 29 de julho de 1946, 19 de fevereiro de 1947, 8 de maio de 1947, 28 de outubro de 1947, 4 de novembro de 1947, 17 de dezembro de 1947, 18 de setembro de 1948
- Estúdio
- Nova York, Los Angeles e Detroit
- Produção
- Herman Lubinsky e Teddy Reig (Savoy); Ross Russell (Dial); Orrin Keepnews (compilação)
- Lançamento
- 1944
Em 26 de novembro de 1945, num estúdio da WOR em Nova York, aconteceu a sessão que costuma ser tratada como a certidão de nascimento do bebop em disco. Charlie Parker tinha 25 anos e assinava pela primeira vez como líder para a Savoy, uma gravadora pequena de Newark. No trompete estava um garoto de 19 anos vindo de Illinois chamado Miles Davis. Quando chegou a vez de "Ko-Ko", tocada num andamento fora do alcance dele, quem assumiu o trompete foi Dizzy Gillespie, que naquele dia também tocou piano em parte da sessão. O disco que fundou o estilo teve, portanto, um substituto de última hora no lugar do titular.
Vale entender por que esse material importa tanto. Entre 1942 e 1944, uma greve do sindicato dos músicos proibiu quase todas as gravações comerciais nos Estados Unidos, justamente nos anos em que o bebop estava sendo inventado nos clubes do Harlem. O estilo nasceu, portanto, praticamente invisível. Estas sessões para a Savoy e para a Dial, gravadas entre 1944 e 1948, são o primeiro registro sistemático do que aquela gente andava fazendo, e por isso funcionam menos como um álbum e mais como um documento.
O que se ouve começa pela velocidade, mas não termina nela. Parker toca frases longas em colcheias contínuas que começam e terminam em tempos fracos, criando um desequilíbrio proposital onde o swing tinha regularidade. E há um procedimento que aparece o tempo todo aqui: pegar a sequência de acordes de uma canção conhecida e compor uma melodia inteiramente nova por cima. "Ko-Ko" faz isso com "Cherokee", "Ornithology" faz com "How High the Moon". Havia uma razão prática, porque a harmonia não é protegida por direito autoral e a melodia é, mas havia também uma razão musical: escrever uma linha nova sobre uma estrutura familiar dá ao solista um terreno que ele já conhece de cor para explorar sem mapa.
É preciso contar a parte difícil, porque ela está em disco. Em 29 de julho de 1946, em Los Angeles, Parker chegou ao estúdio da Dial em estado lamentável. Gravou "Lover Man" mal se sustentando, com frases que desmoronam no meio. O produtor Ross Russell registrou tudo e depois lançou a gravação, decisão que Parker odiou pelo resto da vida e que a crítica discute até hoje. Naquela mesma noite ele foi internado no hospital estadual de Camarillo, onde passaria seis meses. Ao sair, gravou "Relaxin' at Camarillo", em fevereiro de 1947, e o contraste entre as duas faixas é uma das coisas mais desconfortáveis que existem numa discografia de jazz.
O melhor material vem depois disso, entre maio de 1947 e setembro de 1948, quando Parker montou o quinteto com Miles Davis, o pianista Duke Jordan, o contrabaixista Tommy Potter e Max Roach na bateria. O fraseado contido de Miles, no registro médio do trompete, funciona como contrapeso exato ao fogo de Parker, e a seção rítmica dá o tipo de chão elástico que aquele tipo de improviso exigia. Se alguém quiser entender o que significa improvisar de verdade, o caminho é ouvir as duas tomadas de "Embraceable You" gravadas no mesmo dia: mesma canção, mesmo andamento, dois solos que não têm quase nada em comum.
A caixa completa deste material tem 218 faixas e inclui tomadas falsas, começos interrompidos e ensaios, com Parker parando no meio e recomeçando. É documento precioso para quem estuda e experiência exaustiva para quem está chegando. A edição sensata é a das tomadas aprovadas, com 65 faixas, que é a linkada aqui.
O que Parker fez nestes quatro anos reorganizou o vocabulário do jazz inteiro, e o preço foi cobrado no corpo dele. Mas há uma outra história começando de lado nestas mesmas faixas: aquele jovem trompetista de anos que não deu conta do andamento de "Ko-Ko" em 1945 estaria, três anos depois, liderando um grupo próprio e apontando o jazz para a direção oposta, mais lenta, mais fria e mais quieta.
Faixas essenciais
A edição linkada traz 65 faixas gravadas entre 1944 e 1948, em formações que mudam a cada sessão. As catorze abaixo são uma seleção do Jazz Panorama entre as mais determinantes do período.
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01 - Tiny's Tempo - 2:53
02 - Ko-Ko (Charlie Parker) - 2:53
03 - Moose the Mooche (Charlie Parker) - 3:02
04 - Yardbird Suite (Charlie Parker) - 2:53
05 - Ornithology (Charlie Parker e Benny Harris) - 2:59
06 - A Night in Tunisia (Dizzy Gillespie e Frank Paparelli) - 3:03
07 - Cool Blues (Charlie Parker) - 3:04
08 - Relaxin' at Camarillo (Charlie Parker) - 3:00
09 - Chasin' the Bird (Charlie Parker) - 2:44
10 - Cheryl (Charlie Parker) - 2:58
11 - Embraceable You (George Gershwin e Ira Gershwin) - 3:40
12 - Scrapple from the Apple (Charlie Parker) - 2:54
13 - Out of Nowhere (Johnny Green e Edward Heyman) - 3:47
14 - Parker's Mood (Charlie Parker) - 3:04
Créditos
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Charlie Parker, sax alto
Dizzy Gillespie, trompete e piano (sessões de 1945)
Miles Davis, trompete (sessões de 1945 a 1948)
Duke Jordan, piano (quinteto de 1947 e 1948)
Tommy Potter, contrabaixo (quinteto de 1947 e 1948)
Max Roach, bateria
Curley Russell, contrabaixo (sessão de 26 de novembro de 1945)
Bud Powell, piano (sessão de maio de 1947)
Tiny Grimes, guitarra e voz (sessão de setembro de 1944)
Lucky Thompson, sax tenor (sessões de 1946)
Howard McGhee, trompete (sessões de 1946 e 1947)
Erroll Garner, piano (sessão de fevereiro de 1947)
John Lewis, piano (sessão de setembro de 1948)
As duas plataformas trazem a edição das tomadas aprovadas, com 65 faixas. Circula também a caixa completa, com 218 faixas, que inclui tomadas falsas, começos interrompidos e ensaios. Ela é fascinante para quem estuda e cansativa para quem está começando.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase BEBOP, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






