- Estilo
- Swing
- Gravadora
- Columbia (SL-160 (edição original de 1950))
- Gravação
- 16 de janeiro de 1938
- Estúdio
- Carnegie Hall, Nova York
- Engenheiro
- Bill Savory (transferência para a edição de 1950)
- Produção
- George Avakian (1950) e Phil Schaap (edição completa de 1999)
- Lançamento
- 1950
Na noite de 16 de janeiro de 1938, os 2.760 lugares do Carnegie Hall estavam esgotados havia semanas, com o melhor assento a 2,75 dólares. Nenhuma banda de jazz tinha tocado ali antes. Benny Goodman hesitou quando seu publicitário sugeriu a ideia, com medo de que aquela música caísse no vazio diante de um público acostumado a Beethoven, e só topou depois de ver as filas de adolescentes na porta do Paramount. Cancelou sessões de gravação e exigiu ensaiar dentro da própria sala, para a banda se acostumar à acústica.
O detalhe mais improvável dessa história é que ela quase não sobreviveu. Ninguém planejou gravar o concerto. Um amigo de Goodman chamado Albert Marx, casado com Helen Ward, ex-cantora da orquestra, pagou do próprio bolso para registrar a noite em discos de acetato, como presente para a mulher, e mandou uma cópia ao maestro. Goodman guardou a caixa num armário do apartamento e não ouviu aquilo por doze anos. Em 1950 sua cunhada encontrou os discos, e só então o resto do mundo pôde escutar o que tinha acontecido no palco.
Aquele evento não foi apenas artístico. O Carnegie Hall era o templo da autoridade musical branca americana, e Goodman subiu ao palco com um grupo racialmente integrado num país onde isso não se fazia. O pianista Teddy Wilson e o vibrafonista Lionel Hampton já eram seus músicos e a eles se juntaram convidados da orquestra de Duke Ellington, com Johnny Hodges, Harry Carney e Cootie Williams, e da orquestra de Count Basie, com o próprio Basie ao piano, Walter Page no contrabaixo, Freddie Green no violão, Lester Young no sax tenor e Buck Clayton no trompete. Na jam session sobre "Honeysuckle Rose", eram quatro músicos brancos e sete negros dividindo o mesmo palco, em janeiro de 1938.
Essa jam de dezessete minutos é o centro do disco. Os solos entram em fila, Lester Young primeiro, depois Basie, Clayton, Hodges, e em algum momento Goodman faz um gesto que ninguém esperava: aponta para Freddie Green. Green era o guitarrista que nunca solava, o homem que passou décadas tocando um acorde por tempo atrás dos outros, e ali, sem aviso, respondeu com uma sequência de improvisos em acordes. É o tipo de coisa que só acontece ao vivo e que nenhuma sessão de estúdio da época teria permitido.
O outro momento é o fim. "Sing, Sing, Sing" tem doze minutos, com Harry James no trompete, Babe Russin no sax e Gene Krupa martelando o tom-tom do começo ao fim. Quando terminou seu próprio solo, Goodman apontou para Jess Stacy, o pianista que naquela música só fazia base. Stacy não tinha nada preparado. O que saiu foram dois minutos de frases impressionistas, com floreios quase de música de concerto, que ainda assim suingavam. Foi a melhor coisa que ele gravou na vida, e veio no fim do número mais barulhento da noite.
Nem tudo ali funciona. O segmento chamado "Twenty Years of Jazz", uma linha do tempo do gênero que começa no "Sensation Rag" da Original Dixieland Jazz Band, soa hoje como desfile de museu, e a pesquisadora Catherine Tackley, que escreveu um livro inteiro sobre esse concerto, o aponta como um dos trechos menos bem resolvidos musicalmente. A gravação também é pobre: microfones improvisados, acetatos frágeis, som magro e desequilibrado, com a plateia por vezes mais audível que a seção de metais. Quem chegar esperando alta fidelidade vai se decepcionar antes do terceiro número.
O que veio depois compensa. Lançado em 1950, o disco foi um dos primeiros álbuns duplos do jazz, um dos primeiros ao vivo e o primeiro a vender mais de um milhão de cópias, e praticamente ressuscitou a carreira de Goodman numa década em que o swing já tinha saído de moda. O palco misto também rendeu. Lionel Hampton assumiu a bateria por um tempo depois que Krupa deixou a banda, e em julho de 1939 Fletcher Henderson se tornou o primeiro músico negro contratado em caráter permanente pela orquestra. E naquela jam sobre "Honeysuckle Rose", nas frases longas de Lester Young que atravessavam a divisão do compasso como se ela não existisse, já estava o som que uma geração inteira levaria para os porões do Harlem poucos anos depois.
Faixas
A edição completa restaurada por Phil Schaap preserva o concerto inteiro, incluindo os aplausos e as passagens entre um número e outro. As nove últimas faixas do segundo disco não são do concerto: são comentários que Goodman gravou em 1950 para as rádios divulgarem o lançamento do álbum.
Disco 1
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01 - Benny Goodman 1950 Introduction (gravado em 1950) - 0:52
02 - Don't Be That Way (Edgar Sampson, Benny Goodman e Mitchell Parish) - 4:12
03 - Sometimes I'm Happy (Vincent Youmans, Irving Caesar e Clifford Grey) - 4:13
04 - One O'Clock Jump (Eddie Durham e Buster Smith) - 6:47
05 - Applause; transition to Twenty Years of Jazz - 0:41
06 - Sensation Rag (Edwin "Eddie" Edwards) - 1:12
07 - I'm Coming Virginia (Will Marion Cook e Donald Heywood) - 2:15
08 - When My Baby Smiles at Me (Bill Munro, Andrew Sterling, Ted Lewis e Harry Von Tilzer) - 0:52
09 - Shine (Cecil Mack, Ford Dabney e Lew Brown) - 0:55
10 - Blue Reverie (Duke Ellington e Harry Carney) - 3:32
11 - Applause; transition back to Goodman Orchestra - 0:22
12 - Life Goes to a Party (Harry James e Benny Goodman) - 4:05
13 - Setting up for Jam Session - 0:40
14 - Honeysuckle Rose (Fats Waller e Andy Razaf) - 16:42
15 - Applause; setting-up & tuning-up for BG Small Groups - 1:00
16 - Body and Soul (Johnny Green, Edward Heyman, Robert Sour e Frank Eyton) - 3:10
17 - Applause as Lionel Hampton enters - 0:27
18 - Avalon (Vincent Rose, B. G. DeSylva e Al Jolson) - 4:04
19 - The Man I Love (George Gershwin e Ira Gershwin) - 3:35
20 - I Got Rhythm (George Gershwin e Ira Gershwin) - 4:51
21 - pause track - 0:06
Disco 2
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01 - Blue Skies (Irving Berlin) - 3:14
02 - Loch Lomond (tradicional) - 3:04
03 - Applause; Benny Goodman's 'No Encore' announcement - 1:14
04 - Blue Room (Richard Rodgers e Lorenz Hart) - 2:36
05 - Swingtime in the Rockies (Jimmy Mundy e Benny Goodman) - 2:38
06 - Applause; Martha Tilton returns to stage - 0:21
07 - Bei mir bist du schoen (Sholom Secunda e Jacob Jacobs, adaptação de Sammy Cahn e Saul Chaplin) - 3:54
08 - Applause; setting-up for BG small groups - 0:32
09 - China Boy (Dick Winfree e Phil Boutelje) - 4:45
10 - Stompin' at the Savoy (Edgar Sampson, Benny Goodman e Chick Webb) - 5:55
11 - Applause; BG Quartet continues but changes program - 0:24
12 - Dizzy Spells (Benny Goodman, Lionel Hampton e Teddy Wilson) - 5:37
13 - Applause; transition back to Goodman orchestra for finale - 0:41
14 - Sing Sing Sing (with a Swing) (Louis Prima) - 12:02
15 - Applause until encores - 1:03
16 - If Dreams Come True (Edgar Sampson, Benny Goodman e Irving Mills) - 2:34
17 - Applause for second encore - 0:21
18 - Big John's Special (Horace Henderson) - 3:41
19 - pause track - 0:06
Disco 2, apresentações gravadas por Benny Goodman em 1950
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01 - Introduction - 0:26
02 - Don't Be That Way - 0:18
03 - Twenty Years of Jazz - 0:15
04 - Blue Reverie - 0:24
05 - Life Goes to a Party - 0:27
06 - Body and Soul - 0:45
07 - Avalon - 0:23
08 - Swingtime in the Rockies - 0:17
09 - Conclusion - 0:15
Créditos
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Benny Goodman, clarinete e direção
Harry James, trompete
Ziggy Elman, trompete
Chris Griffin, trompete
Red Ballard, trombone
Vernon Brown, trombone
Hymie Schertzer, sax alto
George Koenig, sax alto
Art Rollini, sax tenor
Babe Russin, sax tenor
Jess Stacy, piano
Allan Reuss, violão
Harry Goodman, contrabaixo
Gene Krupa, bateria
Martha Tilton, voz
Teddy Wilson, piano (trio e quarteto)
Lionel Hampton, vibrafone (quarteto)
Bobby Hackett, cornetim (Twenty Years of Jazz)
Cootie Williams, trompete (convidado, orquestra de Duke Ellington)
Johnny Hodges, sax alto e sax soprano (convidado, orquestra de Duke Ellington)
Harry Carney, sax barítono (convidado, orquestra de Duke Ellington)
Count Basie, piano (convidado, jam session)
Lester Young, sax tenor (convidado, jam session)
Buck Clayton, trompete (convidado, jam session)
Freddie Green, violão (convidado, jam session)
Walter Page, contrabaixo (convidado, jam session)
As duas plataformas trazem a mesma edição completa de 49 faixas, com os trechos de aplauso e as passagens entre um número e outro preservados. No Spotify ela aparece como Live At Carnegie Hall 1938 Complete.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase SWING, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.






