- Estilo
- Fusion
- Gravadora
- Columbia (KC 31067)
- Gravação
- 14 de agosto de 1971
- Estúdio
- CBS Studios, Nova York
- Engenheiro
- Don Puluse
- Produção
- John McLaughlin
- Lançamento
- 3 de novembro de 1971
O disco de estreia de uma banda que ousava se autodenominar orquestra tendo só cinco integrantes. O nome vinha do próprio guitarrista John McLaughlin: "Mahavishnu" como seu guru, Sri Chinmoy, lhe chamava, e McLaughlin decidiu usá-lo tanto para si quanto para o grupo inteiro, um gesto que misturava ambição musical e busca religiosa numa medida só.
McLaughlin chegava a esse projeto direto da órbita de Miles Davis, tendo participado tanto de In a Silent Way quanto de Bitches Brew, e trazia consigo o impulso elétrico daquelas sessões, mas levado a um andamento e a um volume que a própria fusão de Davis ainda não tinha ousado. Reuniu ao seu redor um elenco de virtuoses vindos de tradições bem diferentes: o violinista Jerry Goodman, formado em música clássica, o tecladista tcheco Jan Hammer, que somava jazz e rock progressivo, o baixista irlandês Rick Laird e o baterista Billy Cobham, que já vinha de gravar com o próprio Davis e traria ao rock uma técnica de baterista de jazz que praticamente ninguém tinha ouvido antes fora dos círculos mais especializados.
O que se ouve é jazz tocado com a energia física e o volume do rock mais pesado da época. Em "Meeting of the Spirits", faixa de abertura, o grupo inteiro entra junto num groove denso e veloz, guitarra e violino dobrando a mesma linha em uníssono, enquanto Cobham solta uma cascata de acentos que nenhum baterista de banda de rock contemporânea igualava em precisão. "A Lotus on Irish Streams", em contraste, deixa a fúria elétrica de lado por uma peça quase de câmara, guitarra acústica, piano e violino tecendo uma textura delicada que lembra miniaturas de música clássica. "The Dance of Maya" brinca com compassos incomuns e arpejos que se cruzam entre os instrumentos, enquanto "You Know You Know" e "Awakening" dão a Cobham e ao restante da banda espaço para explorar timbres mais sombrios e hipnóticos antes do fechamento.
A mesma velocidade e o mesmo virtuosismo que fascinam à primeira audição também podem cansar num disco só, sem os respiros mais melódicos que discos posteriores da fusão trariam. Mas é exatamente esse excesso, essa disposição de tocar sempre no limite técnico de cada instrumentista, que definiu para uma geração inteira o que "fusão" significava, um ano depois de Bitches Brew ter aberto a porta e um ano antes de outros ex-colegas de Davis, como Chick Corea e Joe Zawinul, seguirem o mesmo caminho com suas próprias bandas.
The Inner Mounting Flame chegaria ao público jovem do rock quase tão facilmente quanto ao público de jazz, ajudando a consolidar a fusão como gênero comercialmente viável ao longo da década de 1970. Décadas depois, a mistura de velocidade extrema, disciplina de conjunto e misticismo oriental que o disco carrega continuaria influenciando gerações de instrumentistas de jazz e de rock progressivo.
Faixas
-
01 - Meeting of the Spirits (John McLaughlin) - 6:52
02 - Dawn (John McLaughlin) - 5:10
03 - The Noonward Race (John McLaughlin) - 6:28
04 - A Lotus on Irish Streams (John McLaughlin) - 5:39
05 - Vital Transformation (John McLaughlin) - 6:16
06 - The Dance of Maya (John McLaughlin) - 7:17
07 - You Know You Know (John McLaughlin) - 5:07
08 - Awakening (John McLaughlin) - 3:32
Créditos
-
John McLaughlin, guitarra
Jerry Goodman, violino
Jan Hammer, piano e órgão
Rick Laird, baixo elétrico
Billy Cobham, bateria e percussão
As duas plataformas servem as oito faixas originais do LP de 1971. Uma edição ampliada, com uma versão ao vivo de "The Noonward Race" gravada em 1972, também circula sob o título "The Inner Mounting Flame (with John McLaughlin)".
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FUSION, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

