- Estilo
- Fusion
- Gravadora
- ECM (ECM 1064/65 ST)
- Gravação
- 24 de janeiro de 1975
- Estúdio
- Opera House, Colônia, Alemanha Ocidental
- Engenheiro
- Martin Wieland
- Produção
- Manfred Eicher
- Lançamento
- 30 de novembro de 1975
Na tarde de 24 de janeiro de 1975, Keith Jarrett chegou à Ópera de Colônia depois de uma viagem de sete ou oito horas desde Lausanne, na Suíça, apertado dentro de um Renault 4 ao lado do produtor Manfred Eicher. Nenhum dos dois tinha dormido direito havia mais de vinte e quatro horas e Jarrett sofria de dores nas costas fortes o bastante para exigir um colete ortopédico. Ao testar o piano reservado para o concerto, descobriu que não era o Bösendorfer Imperial que tinha pedido, mas um piano pequeno de ensaio, desafinado, com pedais com defeito e um registro grave quase inaudível. Jarrett quase cancelou o show ali mesmo. Só a insistência da promotora Vera Brandes, então com dezessete anos, o convenceu a subir ao palco mesmo assim, poucas horas antes da apresentação, diante de uma casa lotada de mil e quatrocentas pessoas.
Aquele instrumento imperfeito, paradoxalmente, ajudou a moldar o que Jarrett tocaria naquela noite. Sem confiança nas notas mais graves do piano, ele evitou aquela região do teclado durante boa parte do concerto; sem pedais confiáveis, precisou sustentar frases repetindo padrões com a mão esquerda em vez de depender do sustain mecânico, criando os riffs hipnóticos e repetitivos que se tornariam a assinatura sonora do disco. Jarrett improvisou o show inteiro do início ao fim, sem nenhum tema pré-combinado, misturando de ouvido linguagens tão distantes quanto o jazz, o gospel, harmonias que lembram Debussy e o groove circular de uma dança popular. Ao final, Brandes correu até o engenheiro Martin Wieland e perguntou apenas: "Você conseguiu gravar aquilo?"
O que se ouve na gravação é, de fato, um dos documentos mais hipnóticos da música improvisada do século vinte. "Part I", a mais longa, abre com um motivo simples que se expande e se contrai por mais de vinte e cinco minutos, sempre retornando à mesma célula melódica antes de se afastar dela de novo. "Part IIb" mostra Jarrett no que se tornaria seu modo mais reconhecível: uma textura em groove, com a mão esquerda martelando oitavas que empurram a música para frente com uma propulsão quase rítmica de música popular. Em vários momentos, especialmente nos fechamentos de "Part I" e "Part IIb", a música se resume a um único acorde reiterado, esticado até virar quase um estado de transe.
A recepção crítica ao longo dos anos revela como esse disco escapa a qualquer categoria fácil: roqueiros e ouvintes de new age acharam que era jazz, o que raramente é. Jazzistas acharam que soava a pop sentimental ou new age, o que também nunca chega a ser de fato. Ouvintes de música clássica, quando expostos ao disco, se surpreenderam com a amplitude de referências e a técnica de Jarrett. Nem tudo, porém, é unanimidade: ouvida hoje, a fórmula de vamps repetidos que sustenta boa parte de "Part IIb" soa, para orelhas mais críticas, próxima demais de um recurso que o próprio Jarrett repetiria em recitais futuros até virar quase um clichê pessoal, e o registro grave fraco do piano de ensaio continua audível mesmo depois do trabalho de mixagem de Eicher e Wieland, um limite técnico que nenhuma edição em estúdio conseguiria apagar de vez. Essa indefinição de gênero, que incomodava alguns críticos da época, é hoje entendida como parte central da conquista do disco: Jarrett inventou, sozinho ao piano numa noite de emergência, um território sonoro que não pertencia inteiramente a nenhum gênero já existente.
"The Köln Concert" se tornaria o disco de piano solo mais vendido da história e o álbum de jazz solo mais vendido de todos os tempos, com mais de quatro milhões de cópias, consolidando de vez o próprio selo ECM como referência internacional. Jarrett jamais voltaria a repetir exatamente aquele momento, mesmo em outros recitais solo ao longo da carreira. A mistura exata de exaustão, piano imperfeito e teimosia de uma promotora de dezessete anos nunca se repetiria da mesma forma.
Faixas
As partes IIa e IIb vêm de uma única improvisação contínua, dividida só para caber nos dois lados do LP duplo original. A parte IIc é um bis tocado ao fim do concerto, sobre um tema que Jarrett registraria mais tarde em partitura sob outro título.
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01 - Köln, January 24, 1975, Part I (Keith Jarrett) - 26:02
02 - Köln, January 24, 1975, Part IIa (Keith Jarrett) - 14:54
03 - Köln, January 24, 1975, Part IIb (Keith Jarrett) - 7:50
04 - Köln, January 24, 1975, Part IIc (Keith Jarrett) - 10:48
Créditos
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Keith Jarrett, piano
As duas plataformas servem as quatro faixas originais do LP duplo de 1975.
Ouvir no Spotify Ouvir no Apple MusicEste disco pertence à fase FUSION, que você pode conhecer na nossa JORNADA DO JAZZ.

